O Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), classificados nesta quinta-feira (28) pelos Estados Unidos como organizações terroristas, são as facções mais poderosas do crime organizado no Brasil. Ambas nasceram em prisões.
Comando Vermelho
O Comando Vermelho surgiu no presídio da Ilha Grande, localizada na Costa Verde do estado do Rio de Janeiro.
O grupo nasceu na década de 1970 do encontro entre presos políticos e integrantes da guerrilha que combatia a ditadura militar brasileira (1964-1985), e detentos comuns.
Com o tempo, abandonou suas pretensões ideológicas para se especializar no tráfico de drogas, primeiro no Rio de Janeiro e depois em outras regiões do país.
No fim da década de 1990, o CV começou a negociar diretamente com cartéis colombianos e bolivianos para se abastecer de cocaína.
No Rio de Janeiro, a organização ampliou nos últimos anos seu controle sobre as favelas em detrimento de outros grupos criminosos.
Primeiro Comando da Capital
O Primeiro Comando da Capital, por sua vez, nasceu dentro de um time de futebol formado por detentos de uma prisão em Taubaté, na região metropolitana de São Paulo.
Seu objetivo inicial era reivindicar melhores condições de encarceramento, especialmente após o Massacre do Carandiru, no qual 111 pessoas morreram durante uma intervenção policial em uma prisão em 1992.
Em 2006, o grupo foi responsável por uma onda de violência sem precedentes, atacando especialmente delegacias e deixando várias centenas de mortos em poucas semanas no estado de São Paulo, em represália à transferência de alguns de seus integrantes para uma penitenciária de segurança máxima.
Assim como o CV, o PCC acumulou fortuna com o tráfico de cocaína, aliando-se à máfia calabresa ‘Ndrangheta para enviar drogas produzidas na América do Sul para a Europa por meio de portos brasileiros.
Posteriormente, investiu em diversos setores da economia formal para construir uma ampla rede de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
Confrontos
O CV e o PCC coexistiram inicialmente de forma pacífica, mas há cerca de uma década começaram os confrontos pelo controle do abastecimento de entorpecentes vindos da Amazônia, na região de fronteira entre Colômbia e Bolívia, grandes produtores de cocaína.
No início de 2017, dezenas de detentos morreram em sangrentas rebeliões entre integrantes do PCC e facções aliadas ao CV em presídios do norte do Brasil.
No ano passado, ambas as organizações foram alvo de importantes operações policiais.
Em outubro, 2.500 agentes invadiram dois complexos de favelas controlados pelo CV no Rio de Janeiro, em uma intervenção que se tornou a mais letal da história do Brasil, com mais de 120 mortos.
O PCC, por sua vez, foi alvo, em agosto, de uma operação destinada a atingir sua estrutura financeira.
O objetivo era desmantelar uma extensa rede de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis, que também envolvia investimentos ocultos em fintechs, plataformas digitais de serviços financeiros.
Um novo capítulo dessa operação ocorreu nesta quinta-feira, tendo como alvo, em particular, as fintechs.