O comandante da Gendarmaria da Turquia, Necdet Özel, foi promovido nesta sexta-feira de forma extraordinária a comandante do Exército, anunciou a rede de televisão “NTV” citando fontes do Palácio Presidencial após uma reunião de urgência entre chefe de Estado, Abdullah Gül; o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, e o próprio Özel.
O chefe do Estado-Maior, Isik Kosaner, e os comandantes do Exército, Erdal Ceylanoglu; das Forças Navais, Esref Ugur Yigit, e das Forças Aéreas, Hassan Aksay, apresentaram nesta sexta-feira, de forma surpreendente, uma carta de renúncia.
Embora as razões da renúncia não tenham sido divulgadas oficialmente, diversos especialistas consultados pela televisões turcas consideram que o episódio está relacionado com as desavenças entre o estamento militar e o Governo do islamita moderado Erdogan.
A decisão ocorreu poucos dias da reunião ordinária entre o Governo e militares no Conselho Militar Supremo (YAS), que começará na segunda-feira e deve decidir sobre as promoções dos oficiais de maior categoria.
De acordo com a imprensa turca, o Governo, islamita moderado, quer impedir a promoção de diversos militares supostamente envolvidos em tramas golpistas, algo que não agrada os generais turcos.
Özel, comandante da Gendarmaria (um corpo de vigilância policial em zonas rurais e ligado ao Exército), foi o único general da cúpula que não apresentou sua renúncia. Após ser nomeado à frente do Exército, se espera agora que Özel seja eleito chefe do Estado-Maior.
O Exército turco é o segundo em número de soldados da Otan, e na história do país já deu quatro golpes de Estado (1050, 1971, 1980 e 1997), derrubando outros Governos escolhidos de forma democrática.