O destino dos seqüestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se tornou ainda mais incerto após a morte de seu líder máximo, approved Pedro Antonio Marín, prescription conhecido como “Manuel Marulanda” ou “Tirofijo”.
Isso, somado à falta de sinais de seu sucessor, “Alfonso Cano”, sobre a posição que adotará em relação aos pedidos por um acordo humanitário ou de libertação dos reféns, ajuda a adicionar tensão à situação dos seqüestrados pela guerrilha.
No entanto, parentes dos reféns, funcionários e analistas acreditam que as Farc, com sua nova direção, possam dar uma reviravolta e possibilitem uma saída negociada à questão.
Tirofijo morreu em 26 de março em decorrência de um ataque cardíaco, admitiram neste domingo as Farc, que também anunciaram que seu sucessor no comando é Guillermo León Sáenz, conhecido como “Alfonso Cano”, de quem ainda não se sabe se manterá ou modificará a linha de seu antecessor.
O defensor público colombiano, Volmar Pérez, expressou hoje sua confiança em que a designação de Cano, um antropólogo próximo de completar 60 anos e considerado “da linha política”, facilitará o acordo humanitário e “reavaliará a guerra”.
“Se à frente das Farc predominar a linha política, alguém poderia esperar que os novos responsáveis por sua direção entendam essa necessidade, de que é preciso privilegiar mais o diálogo político, de que é preciso se ater às normas do direito internacional humanitário”, disse hoje Pérez aos jornalistas.
Ele acrescentou que, nessa linha, acredita em que a nova chefia diminua a intensidade do confronto armado e pediu que se possibilite um acordo humanitário que “garanta o retorno à liberdade de todos os seqüestrados”.
Entre as mais de 700 pessoas em poder das Farc, segundo números do Governo, há 40, entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, três americanos e políticos, soldados e policiais, que a guerrilha considera “passíveis de troca” por 500 rebeldes presos.
Para negociar o acordo humanitário, as Farc também exigiram a desmilitarização dos municípios de Florida e Pradera, no departamento de Valle, sudoeste do país, ao que se opõe o presidente colombiano, Álvaro Uribe.
A senadora opositora Piedad Córdoba, que junto ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, agiu como mediadora para a busca do acordo humanitário, considerou hoje que com Alfonso Cano será possível continuar trabalhando nesse objetivo.
A ex-mediadora admitiu que vê o acesso de Cano ao máximo comando das Farc com “muita esperança pela paz, no acordo humanitário e pela saída negociada ao conflito que vive a Colômbia”.
Astrid Betancourt, irmã de Ingrid Betancourt, seqüestrada pela guerrilha em 23 de fevereiro de 2002, também expressou sua confiança em que com Cano será possível concretizar um acordo pela liberdade dos seqüestrados.
Segundo Astrid Betancourt, que falou com a “Radio Caracol” desde Paris, a designação de Cano “devolve a esperança”, pois o novo líder das Farc está mais adscrito à linha política que “à belicista”.
O analista e colunista Pedro Medellín também coincidiu com Betancourt, com o defensor público e com a senadora Córdoba e expressou que, com efeito, se impôs a linha de conciliação e de ação política de Cano, frente à “belicista” de Jorge Briceño Suárez, o “Mono Jojoy”, chefe militar das Farc.
O assessor presidencial José Obdulio Gaviria, por sua parte, disse que o destino dos seqüestrados “depende da sorte do enfraquecimento da força, da organização seqüestradora, e isso está ocorrendo, e é provável que eles comecem a ser libertados”.
No sábado, Uribe revelou que guerrilheiros das Farc ofereceram se desmobilizar e libertar a ex-candidata presidencial Betancourt e outros seqüestrados, mas pediram uma contrapartida para isso.
Esses guerrilheiros, afirmou Uribe, devem saber que o Governo criou “um fundo de recompensas de até US$ 100 milhões (para) os integrantes (das Farc) que se desmobilizem, abandonem esse grupo e libertem seqüestrados”.
A segunda oferta, acrescentou Uribe, é que se buscará “um mecanismo de liberdade condicional”, e explicou que este será efetivado pelo Governo “no momento em que estas pessoas cheguem e que se possa receber os seqüestrados”.
Gaviria disse hoje à “Radio Cadena Nacional” (“RCN”) que o Governo espera que “o apelo e a oferta de recompensa seja ouvido e eles mesmos se apresentem”.