O Governo colombiano enviou nesta quarta-feira uma nota de protesto à Venezuela, drugs pedindo que o presidente Hugo Chávez “pare com as agressões” ao país, em resposta à sua proposta de dar status de insurgentes às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e ao Exército de Libertação Nacional (ELN).
Chávez “não desperdiça oportunidade de maltratar a Colômbia e o seu Governo” e “confunde a cooperação com a ingerência” em assuntos internos do país, diz a nota lida pelo chanceler colombiano, Fernando Araújo.
O governante venezuelano, em visita oficial à Nicarágua, acusou o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, de ser um instrumento dos Estados Unidos, ameaçando a paz e a integração da América Latina.
A origem do mal-estar foi a proposta feita na sexta-feira passada por Chávez, um dia depois de, com sua mediação, as Farc libertarem duas políticas colombianas seqüestradas há mais de seis anos.
Chávez defendeu a concessão do status político ao ELN e às Farc como forma de ajudar a libertar os outros seqüestrados. Mas a sua proposta não conquistou o apoio da maioria de seus aliados, como Argentina, Bolívia e Equador.
A nota de protesto desta quarta-feira recebeu uma resposta antecipada do vice-ministro de Relações Exteriores venezuelano, Jorge Valero. “Se algo ameaça a soberania colombiana é a ostensiva presença militar dos Estados Unidos no conflito interno da Colômbia”, afirmou.
“Chama a atenção que um dos principais defensores do intervencionismo estrangeiro em seu próprio país seja quem pretenda se apresentar como porta-estandarte da soberania, acusando o Governo venezuelano de ingerência nos assuntos internos da Colômbia”, acrescentou Valero na sua nota de resposta.
Em Manágua, Chávez acusou o presidente colombiano de ser um instrumento dos Estados Unidos. “Uribe faz o que Bush disser, e Bush não quer paz, quer guerra”, afirmou.
Ele também afirmou que há uma conspiração para matá-lo e gerar um conflito armado entre Venezuela e Colômbia.
O Governo dos Estados Unidos reforçou na Organização dos Estados Americanos (OEA) sua decisão de manter as Farc na lista de grupos terroristas. Na sessão do Conselho Permanente, o embaixador americano no órgão, Robert Manzanares, afirmou que a posição de seu país é clara.
“Tirar das Farc a qualificação de organização terrorista seria um grave erro”, afirmou.
Já o representante da Venezuela, Nelson Pineda, afirmou que “não é possível obter a paz na Colômbia pela via militar, mas somente pela via política”.
O embaixador da Colômbia na organização, Camilo Ospina, agradeceu aos 34 Estados-membros pelo seu apoio na busca da paz. Lembrando as palavras de Uribe, ele ressaltou que tem que ser um “apoio contra todos os grupos violentos, e não uma censura ao Governo colombiano”.
No momento em que o processo de paz avançar, ressaltou, a Colômbia “seria a primeira a pedir ao mundo que, como contribuição, parassem de chamar as Farc de terroristas”.