Durante uma sessão do Conselho Permanente da OEA, o embaixador da Colômbia no organismo, Luis Alfonso Hoyos, apresentou, como estava previsto, o “mais enérgico protesto” e criticou o que chamou de “projeto intervencionista” de Chávez nos assuntos internos de seu país.
Hoyos pediu que Chávez utilize suas “capacidades e talentos” de forma construtiva no continente, “sem semear mais ódio, respeitando as diferenças e não intervindo nos assuntos internos da Colômbia”.
Mas o embaixador da Venezuela na OEA, Roy Chaderton, já tinha sua resposta pronta, embora não tenha se referido à denúncia imediata da Colômbia, mas arremetido contra a “oligarquia colombiana” e contra “países que, por infortúnio, parecem viciados em guerra”.
A causa imediata da denúncia da Colômbia foram as declarações feitas no domingo pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, em seu programa “Alô, presidente”, no sentido de que a “burguesia colombiana tem medo de que a voz de Chávez seja ouvida pelo povo da Colômbia e que, por isso, é preciso fazer tudo o que tiver que fazer”.
Chávez também disse ter ordenado “uma investigação” a todas as empresas colombianas na Venezuela, para evitar que mascarem capitais provenientes do narcotráfico.
No mesmo programa, Chávez criticou o acordo militar entre os Estados Unidos e a Colômbia, que ainda não foi assinado e que autorizaria a utilização de sete bases militares em território colombiano por soldados americanos, em missões no combate ao narcotráfico e ao terrorismo.
Para Chávez, a intenção dos EUA é aumentar sua presença militar e controlar os recursos naturais da região.
O Governo de Chávez deve apresentar, na sexta-feira, durante a cúpula extraordinária da União de Nações Sul-americanas (Unasul), na Argentina, um relatório americano para desmontar “as mentiras” da Colômbia sobre o acordo militar.
Sobre isso, Chaderton reiterou que o acordo militar vem acompanhado por “ventos de guerra”.
Depois de sua apresentação, Chaderton disse aos jornalistas que as relações entre a Colômbia e a Venezuela se encontram “no pior momento” e acusou o presidente Álvaro Uribe de “provocar um crescente sentimento anti-Venezuela na Colômbia”.
Neste sentido, Michael Shifter, analista do Diálogo Interamericano, disse à agência Efe que as relações entre os dois países “alcançaram um ponto baixo, já que a desconfiança entre Uribe e Chávez é profunda”.
No entanto, os dois presidentes tendem a ser “pragmáticos e compreendem que seus países estão tão entrelaçados que se a situação piorar, os dois poderiam ser afetados”.
Chaderton considerou que o protesto da Colômbia diante da OEA constitui um “grave erro diplomático” e que, segundo sua opinião, tinha o objetivo de “provocar barulho para cobrir com uma cortina de fumaça as novidades que possam sair da cúpula de Bariloche na próxima sexta-feira”.
Hoyos destacou que o projeto expansionista de Chávez “está violando princípios fundamentais das relações entre Estados”, consagrados na Carta das Nações Unidas, na Carta da OEA e na Carta Democrática Interamericana.
Além disso, Hoyos pediu que a tragédia da violência na Colômbia sirva para ajudar o país a fazer frente “aos grupos de narcotraficantes que nos causam danos”.
“Não é semeando rancor e raiva que se constroem sociedades mais humanas”, afirmou Hoyos.
“Não é desprezando os que pensam diferente que se constrói uma democracia, não é silenciando a imprensa e calando os jornalistas que se defende a liberdade de expressão”, disse, em alusão às últimas ações de repressão de Chávez.
Em declarações a jornalistas, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, expressou seu desejo de “que as relações melhorem” entre os dois países.