A União de Nações Sul-americanas (Unasul) e seu Conselho de Defesa devem discutir a cooperação militar da Venezuela com a Rússia pelo risco que acarreta para a segurança regional, link propôs hoje a senadora colombiana Marta Lucía Ramírez.
“As relações da Venezuela com a Rússia são algo a ser tratado pela Unasul e pelo Conselho de Defesa Sul-americano porque riscos que hoje parecem uma utopia podem ser uma certeza amanhã”, disse Ramírez na 5ª Conferência de Segurança Internacional do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro.
A senadora, que foi ministra da Defesa do presidente Álvaro Uribe, destacou que a cooperação militar de Moscou com Caracas “não é um tema menor” e merece toda a atenção da vizinhança.
Ramírez fez referência às manobras militares que os dois países farão no fim do mês em águas do Caribe como parte de seu crescente cooperação.
“Essa cooperação fortalece militarmente um país para atuar contra outros”, ressaltou a senadora.
A Rússia se transformou ainda em um importante fornecedor de material bélico da Venezuela, o que preocupa a Colômbia, país com o qual o Governo de Hugo Chávez tem uma tensa relação em matéria de defesa.
Segundo Ramírez, para que a Unasul e o Conselho de Defesa Sul-americano se consolidem como mecanismos de integração regional, devem contribuir ao fomento da confiança mútua entre seus membros.
“É preciso desenvolver medidas de confiança, apesar da desconfiança, é um paradoxo, mas é assim”, ressaltou a senadora.
Da mesma reunião participou também o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que ressaltou que o objetivo do Conselho de Defesa regional não é formar alianças estratégicas nem militares, mas “fixar linhas comuns de defesa e integrar as bases industriais” do setor.
“A América do Sul deve ter uma indústria de defesa para o desenvolvimento”, destacou Jobim.
Por sua parte, o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse que o mais importante do Conselho de Defesa é que a América do Sul, que já iniciou a integração econômica e comercial, terá também a possibilidade de fazê-lo no campo da segurança.
“O Conselho não assumirá nenhuma linha de confronto com potências. Aponta para a troca de experiências sob o princípio de respeito à soberania e à autodeterminação” dos povos, afirmou.