A indústria brasileira anunciou hoje que pedirá à Conferência da ONU sobre a Mudança Climática, que será realizada em dezembro, para que leve em conta “o direito ao desenvolvimento das nações” e respeite o princípio de responsabilidades comuns diferenciadas.
Este ponto de vista foi expressado hoje em entrevista coletiva em São Paulo pelo gerente-executivo da Confederação Nacional de Indústria (CNI), Augusto Jucá, que aproveitou para convocar os países desenvolvidos a assumirem uma posição de liderança na reunião.
Segundo Jucá, “ninguém quer” que as reduções de gases poluentes produzam um desenvolvimento “menos pujante”.
“Queremos dar uma vida melhor aos cidadãos. O que é preciso fazer é criar empregos limpos. Essa transformação é o grande desafio”, afirmou.
O representante da CNI insistiu em destacar a matriz energética limpa do Brasil – quase 46% da energia brasileira vem de fontes renováveis – e apontou que a indústria contribui apenas com 8,8% à emissão total de gases causadores do efeito estufa (gases estufa).
“As grandes indústrias brasileiras, inclusive forçadas pelos bancos, pelo financiamento e pelas seguradoras, e até pela exigência do consumidor, já estão encarando seriamente a mudança climática”, disse Jucá.
No documento, os industriais consideram que “os países desenvolvidos devem se comprometer com a oferta de financiamento adicional e em condições adequadas” com as ações destinadas a reduzir as emissões adotadas pelos não desenvolvidos.
Segundo Jucá, a questão que está sendo levada para a cúpula é a mudança da matriz energética mundial rumo ao desenvolvimento sustentável.
“Para nós, é uma grande oportunidade, porque partimos de um patrimônio ambiental muito maior”, acrescentou.
Jucá também apontou que, junto à “matriz limpa” e a “um potencial muito grande em bioenergia”, cerca de 60% das emissões de gases estufa no Brasil são oriundas do desmatamento da Amazônia e de queimadas.
Além disso, o gerente-executivo da CNI criticou o que chamou de “protecionismo climático”.
“Misturar clima e comércio seria um erro”, já que “não se adianta nem a agenda climática, nem o comércio internacional, que é uma grande vantagem”, disse.
“Um caso típico é o do etanol, já que não pode ser considerado justo que sua entrada seja impedida em qualquer mercado porque é uma forma de reduzir emissões em outro país”, explicou Jucá, em referência à chamada “taxa de ajuste na fronteira”.
A Conferência da ONU sobre a Mudança Climática será realizada em Copenhague e começa no dia 7 de dezembro e termina no dia 18.