Uma equipe internacional de cientistas descobriu um pequeno “planeta de diamante” orbitando um pulsar ou uma estrela de nêutrons a 4 mil anos-luz da Terra, informou nesta sexta-feira a Organização para a Pesquisa Industrial e Científica da Comunidade da Austrália (CSIRO).
A composição deste planeta é cristalina e se acredita que “grande parte” deste corpo “pode ser similar a de um diamante”, segundo um comunicado da organização australiana.
Apesar do “planeta de diamante” ter apenas 60 mil quilômetros de diâmetro, aproximadamente um quinto do tamanho da Terra, tem uma característica muito particular: sua alta densidade, que é ligeiramente maior que a de Júpiter.
O planeta de diamante, também chamado de carbono, forma junto de uma estrela neutrônica que emite regularmente pulsos de radiação eletromagnética, um sistema binário cerca de 4 mil anos-luz da Terra, na Constelação da Serpente.
Separados por cerca de 600 mil quilômetros, o pequeno planeta orbita em duas horas e dez minutos a estrela neutrônica, batizada como PSR J1719-1438, de acordo com a descoberta da equipe de cientistas da Austrália, Alemanha, Itália, Reino Unido e Estados Unidos.
Os pulsares são estrelas de nêutrons que giram a grande velocidade e têm em média 20 quilômetros de diâmetro. Estas estrelas neutrônicas emitem pulsos de ondas de rádio, que são captadas pelos telescópios, explicou CSIRO.
“Apesar de ser raro, este planeta comprova o que já sabemos sobre como estes sistemas binários evoluem”, disse um dos líderes da pesquisa, Matthew Bailes da Universidade de Tecnologia Swinburne da cidade de Melbourne.
O planeta também “parece ser composto principalmente por carbono e oxigênio” e “tem elementos brilhantes como hidrogênio e hélio”, comentou Michael Keith, responsável do departamento de Astronomia e Ciência Espacial de CSIRO.
O descobrimento deste planeta ocorreu depois que a equipe de cientistas australianos avistou primeiro o pulsar com ajuda do radiotelescópio de CSIRO situado próximo da localidade de Parkes, cerca de 357 quilômetros a oeste de Sydney.
Os pesquisadores continuaram a descoberta com os telescópios de Lovell (Reino Unido) e Keck (Havaí, EUA), mas depois notaram que os pulsos da estrela neutrônica eram sistematicamente alterados pelo que podia ser a força da gravidade de um pequeno planeta que formava junto com ela um sistema binário.