Cientistas alemães e chineses conseguiram decifrar o genoma da bactéria “E. coli” que já provocou 17 mortes na Alemanha e identificaram a cepa como um cruzamento até agora desconhecido e muito prejudicial, enquanto continuam buscando o foco da contaminação.
A equipe de pesquisadores da Clínica Universitária Eppendorf de Hamburgo, a cidade da qual partiu o alerta sanitário e também a acusação, depois retificada, contra uma safra de pepinos espanhóis, informou sobre a identificação do genoma da bactéria letal.
A nova “E. coli” é uma combinação entre um “parente muito distante” da variante mais comum da bactéria e outras cepas “clássicas”, como definiu o bacteriologista Holger Rohde.
A combinação dá como resultado uma variante muito agressiva, que permanece mais tempo do que o habitual no intestino e provoca danos muito mais persistentes, inclusive nos rins, e podendo levar à morte.
As duas variantes teriam trocado parte de seu código genético e o resultado seria a chamada síndrome hemolítico-urêmica (HUS, na sigla em inglês), que já provocou 18 mortes – 17 na Alemanha e uma na Suécia.
Até agora, a única medida eficiente contra a infecção intestinal é uma rápida diálise, mas ela nem sempre surte o efeito esperado em alguns pacientes, especialmente nas pessoas de idade mais avançada.
A crise sanitária, que levou à contaminação de mais de 470 pessoas na Alemanha, se estendeu a outros países, e foram registrados casos também em Reino Unido, Escandinávia, Espanha e Holanda, todos em pessoas que estiveram em Hamburgo.
As contraditórias explicações iniciais das autoridades alemãs – que, inicialmente, atribuíram o surto a pepinos espanhóis – geraram desconfiança no consumidor, enquanto a comunidade científica trabalha rapidamente na busca de soluções.
A equipe de cientistas de Hamburgo advertiu que, apesar do genoma ter sido identificado, a interpretação dos dados pode levar semanas.
Após dias de incerteza, o Instituto Federal de Análise de Riscos de Berlim confirmou nesta quinta-feira que nenhum dos quatro pepinos espanhóis analisados continha a variante da “E. coli” que provocou a contaminação.
“Nenhum dos quatro testes deu positivo à variante O104:H4 do agente patogênico que foi isolado das análises dos sedimentos dos pacientes”, disse a porta-voz do instituto.
A origem das infecções continua sem ser encontrada e, portanto, ainda não foi determinado em que ponto da cadeia alimentar se deu a contaminação.
Enquanto continuam as pesquisas para determinar a origem da infecção, os especialistas aconselham a população a não consumir pepino, tomate e alface, o que está gerando enormes prejuízos no setor.
À margem das trocas de acusações entre as autoridades espanholas e as alemãs – por parte da Espanha, são exigidas indenizações pelos danos a seu setor agrícola -, a infecção ameaça arruinar agricultores alemães e de outras partes da Europa.
O veto aos produtos espanhóis foi suspenso na quarta-feira, mas persiste a suspeita generalizada sobre pepinos, tomates e alfaces de qualquer procedência.