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China e Taiwan se comprometem a impulsionar paz em reunião histórica

Arquivo Geral

28/05/2008 0h00

Os líderes do Partido Comunista Chinês (PCCh), symptoms Hu Jintao, e do Kuomintang (KMT), Wu Po-hsiung, se comprometeram nesta terça-feira a impulsionar a paz, em um encontro histórico realizado em Pequim, que marca o fim de 60 anos de hostilidades após a guerra civil entre as duas legendas na China.


Hu, que também é presidente da China, se comprometeu a “impulsionar o desenvolvimento pacífico dos laços entre os dois lados (do Estreito de Taiwan)”, no início do encontro, que foi exibido ao vivo pelas televisões chinesa e taiuanesa.


Wu destacou o “desejo comum de paz e estabilidade do povo chinês”, se referindo à China e Taiwan, e disse que “para que as duas partes mostrem boa vontade e se comuniquem, é de se esperar um desenvolvimento pacífico e estável dos laços mútuos”.


A reunião, a de mais alto nível entre China e Taiwan em 60 anos, “marca uma nova era nas relações entre o PCCh e o KMT, e é um evento de grande importância nos laços entre as duas partes do Estreito de Taiwan”, disse Hu ao início do evento, transmitido ao vivo pelas televisões chinesa e taiuanesa.


O presidente da China agradeceu profundamente “pelo afeto e ajuda de Taiwan” às vítimas do terremoto de Sichuan, ocorrido em 12 de maio, e acrescentou que isso mostra “a grande força que emana da união do povo chinês”.


“O afeto mostrado por todo o povo chinês em tempos de provação se transformará na força que impulsionará a cooperação entre os compatriotas dos dois lados do Estreito e criará um futuro unido”, afirmou.


Em entrevista coletiva à imprensa taiuanesa após a reunião, Wu disse que Hu concordou em reativar as negociações entre a taiuanesa Fundação para o Intercâmbio no Estreito (Straits Exchange Foundation) e a chinesa Associação para as Relações entre os Dois Lados do Estreito de Taiwan (Arats, na sigla em inglês), criadas há mais de dez anos, mas que Pequim se negou a utilizar nos últimos tempos.


No entanto, Wu destacou que não se eliminará o “segundo canal” de comunicação entre Taipé e Pequim, surgido em 2005 após o encontro de Hu com o dirigente do KMT, Lien Chan, quando ficaram acertadas a retomada das negociações, o fim das hostilidades, a assinatura de um acordo de paz e a criação de mecanismos de cooperação econômica.


Outro resultado concreto deste encontro é o reatamento dos vôos diretos entre China e Taiwan, e a chegada de turistas chineses à ilha, promessas eleitorais do presidente taiuanês, Ma Ying-jeou.


“Acho que para melhorar as relações dos dois lados do Estreito é preciso começar pelas coisas mais fáceis, e os laços econômicos são mais fáceis do que os políticos”, analisou Tao Wenzhao, especialista da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS, em inglês) em entrevista à rede de televisão estatal “CCTV”.


Tao ressaltou que, se as autoridades conseguirem manter a paz e a estabilidade nas relações dos dois lados do Estreito, “estarão contribuindo para a paz no Extremo Oriente”.


A chegada ao poder, em 20 de maio, de Ma Ying-jeou, do KMT, pôs fim a oito anos de tensões entre Pequim e o antigo presidente independentista de Taiwan Chen Shui-bian, e faz prever uma melhora nas relações bilaterais.


Ma prometeu uma aproximação econômica com a China, além do fim das seis décadas de hostilidades, com o compromisso de uma união a longo prazo com Pequim com “liberdade, democracia e prosperidade”, mas mantendo a atual situação a médio prazo.


Além disso, o presidente taiuanês se comprometeu a “não negociar a união com a China nem declarar a independência formal”, e mostrou sua intenção de assinar um acordo de paz e negociar maior espaço internacional para a ilha.


A China considera Taiwan como parte de seu território, mas as duas partes são governadas separadamente desde 1949, quando as forças nacionalistas do KMT se refugiaram na ilha após perder a guerra civil contra os comunistas chineses, liderados por Mao Tsé-tung.


 

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