As equipes de emergência trabalham hoje na evacuação de 80 mil pessoas ameaçadas pelo transbordamento de um dos 35 lagos formados pelo devastador terremoto registrado há 14 dias no sudoeste da China, what is ed e que continua provocando réplicas de menor intensidade.
Os dois novos tremores registrados hoje foram quase simultâneos, e tiveram magnitude de 5,7 e 5,4 graus na escala Richter.
O terremoto do último dia 12 de maio, com uma magnitude de 8 graus na escala Richter e cujo epicentro foi localizado na província sudoeste de Sichuan, causou 67.183 mortes e deixou outras 20.790 pessoas desaparecidas, segundo os últimos dados oficiais divulgados hoje.
No lago Tangjiashan, 600 militares e engenheiros preparam rapidamente, com a ajuda de dinamites e escavadeiras, a drenagem da água, antes que ela transborde e ponha em risco a vida de milhares de sobreviventes ao terremoto em Beichuan, um dos distritos mais devastados pelo tremor.
Setenta mil pessoas foram deslocadas do local e outras 80 mil serão removidas nas próximas horas, segundo a agência oficial, “Xinhua”.
“É preferível que (as pessoas que foram obrigadas a sair do local) se queixem dos problemas que a evacuação possa trazer do que chorem as lágrimas depois”, disse Liu Ning, do Ministério de Recursos Hídricos, citado pelo diário “China Daily”.
A quantidade final de deslocados, que varia entre 160 mil e 1,3 milhão, dependerá do volume de água que for necessário liberar.
O nível do lago, com um volume de 130 milhões de metros cúbicos de água, não parou de aumentar nos últimos dias e os canais para desviar a água não estarão preparados até cinco de junho, explicaram fontes de resgate da cidade de Mianyang.
Da mesma forma que o restante dos “lagos do terremoto”, o de Tangjiashan formou-se pelos deslizamentos de terra causados pelo tremor e que bloquearam um dos rios que passam pela zona, segundo a imprensa local.
Os membros das equipes de resgate no lago – que amanhã ganharão o reforço de outros 105 – dizem que o material que chegou até agora não é suficiente devido à constante acumulação de escombros causada pelos últimos tremores.
Os dois últimos tremores foram registrados em dois distritos próximos, o de Ningqiang (na província de Shaanxi) e o de Qingchuan (em Sichuan), separadas por apenas meia hora, mas não houve informações sobre vítimas.
As réplicas foram sentidas em ambas as capitais provinciais: Xian (célebre por seus guerreiros de terracota) e Chengdu, assim como nas províncias vizinhas de Gansu e no município de Chongqing.
Segundo um especialista chinês, as réplicas provavelmente continuarão acontecendo durante dois ou três meses.
“A julgar pelos terremotos prévios de uma magnitude similar, desta vez as réplicas podem durar dois ou três meses, pelo menos”, assegurou He Yongnian, ex-subdiretor do Bureau Sismológico da China, citado pela agência “Xinhua”.
Até o momento, mais de 180 réplicas de mais de quatro graus na escala Richter foram registradas em Sichuan, das quais cinco superaram os seis graus, entre elas uma de 6,4 ocorrida no domingo passado e que deixou oito mortos na província e em outras três vizinhas.
Segundo He, o fato de Sichuan ser uma região montanhosa aumentou os prejuízos, por conta de deslizamentos de terra.
Enquanto isso, os trabalhos de ajuda aos sobreviventes do tremor – que ainda obrigam mais de cinco milhões de pessoas a viver em tendas de campanha e em refúgios temporários – continuam.
Até o momento, a China autorizou a colaboração de 220 especialistas médicos de Alemanha, Itália, Rússia, Japão, Reino Unido, França, Cuba, Paquistão e Indonésia, que se somaram a 140 mil socorristas chineses, detalhou hoje o diretor do escritório de emergências do Ministério da Saúde chinês, Chen Xianyi.
As autoridades sanitárias têm planos de completar em meados de junho a campanha para vacinar todas as pessoas vulneráveis contra doenças infecciosas como hepatite A e encefalite B, disse Sun Jiahai, porta-voz do Ministério.
Os responsáveis agrícolas de Sichuan começaram uma campanha de dedetização, que incluirá edifícios, centros de refúgio para os deslocados, casas danificadas, fazendas e imóveis rurais, para evitar pragas nos municípios mais afetados pelo tremor.