O Governo da China, link há 60 anos sob o Partido Comunista, information pills tentou censurar o discurso de posse do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quando ele mencionava termos como “fascismo”, “comunismo” e “dissidência”.
“Lembrem-se que gerações anteriores enfrentaram o fascismo e o comunismo”, foi um desses momentos.
Os cortes voltaram a restabelecer a teoria -não confirmada oficialmente- de que a televisão chinesa transmite “ao vivo” sempre com 30 segundos de diferença para dar tempo de parar o sinal, caso vá se transmitir alguma subversão.
Foi assim na Televisão Central da China (CFTV) e hoje na transcrição ao mandarim dos discursos na imprensa local, mas não em jornais com edição em inglês para estrangeiros, como o “China Daily”, que reproduziram o discurso na íntegra.
A censura oficial contrasta com o “efeito Obama”, que ecoou hoje na China entre a simpatia de seus seguidores ou os que ganham dinheiro vendendo camisetas com seu rosto, a precaução diante de suas promessas eleitorais e a censura parcial do discurso de posse.
Um jovem de 28 anos, Guan Yanhui, é o paradigma do uso prático do entusiasmo chinês por Obama.
Guan está ganhando bem em plena crise com as camisetas que desenha, desde que descobriu que muitos de seus compatriotas apoiavam o primeiro presidente negro dos EUA.
“Havia tantos chineses que falavam sobre sua campanha que não pude resistir a tirar proveito”, assinalou Guan hoje à agência de notícias “Xinhua”, após ter vendido cada camiseta no site Taobao.com por 40 iuanes (US$ 5,8 dólares).
Por sua parte, a editora chinesa Imprensa Legal parece tirar melhor partido com a publicação da autobiografia de Obama, com mais de 100 mil cópias vendidas na China desde 2007.
“É uma bela autobiografia e demonstra a capacidade de Obama de assumir grandes responsabilidades. Mas para ser sincero, nem eu achava que ele iria ganhar as eleições quando traduzíamos o livro”, confessou o editor Hao Manchun.
A professora Zhang Kai, da Universidade de Comunicações da China, assinalou a “Xinhua” que muitos de seus alunos adoram a Obama “simplesmente por seu sorriso”.
“Não tem a ver com a política, eu acho que também é seu encantamento”, assinalou a acadêmica.
A maioria dos chineses espera que Obama os tire da crise financeira de seu país e que afeta gravemente a China, com 10 milhões de desempregados recentes, porém a censura mostra o descompasso entre o conteúdo político oficial e a simpatia dos chineses pelo novo presidente americano.