Milhares de chilenos que há um ano perderam tudo por conta do terremoto que destruiu o país disseram nesta sexta-feira que estão cada vez mais desesperançosos em recuperar a casa e o trabalho, enquanto se preparam para passar outro inverno em acampamentos precários.
A região litorânea de Maule e Biobío foi a área mais afetada pela tragédia de 27 de fevereiro de 2010, que causou 524 mortes e danos materiais no valor de US$ 30 bilhões.
Casa, lojas e portos pesqueiros ficaram destruídos pelo sismo de 8,8 graus de magnitude e pelo tsunami que minutos depois arrasou o litoral.
“Dichato sofrerá muito neste inverno”, conta Miguel Barra, líder comunitário de El Molino, o maior acampamento de todo o Chile, onde se amontoam 500 cabanas construídas para a emergência e nas quais vivem 2,5 mil pessoas.
Barra, representante de um movimento pela recuperação da cidade turística de Dichato, foi um dos manifestantes detidos na semana passada durante um protesto, quando o presidente do Chile, Sebastián Piñera, esteve na área para ter conhecimento sobre o andamento da reconstrução.
Atualmente, pouco resta das casas, lojas e restaurantes que moviam a economia do litoral local, e a região agora é conhecida como “Zona Zero”.
“Se a reconstrução fosse iniciada, a economia seria recuperada. Mas neste momento não temos nada. O Governo não entregou nenhum subsídio”, denunciou Barra.
Da mesma forma que em Dichato e outros povoados do litoral que foram devastados, em Constitución, os moradores se opõem à decisão das autoridades de proibir, por segurança, a reconstrução de casas próximas ao litoral.
Os desabrigados temem que os terrenos sejam desapropriados e vendidos a empresas construtoras, para lucrativos negócios imobiliários, e que eles tenham que viver apertados em edifícios de departamentos afastados.
“A ajuda que chegou é insuficiente. A reconstrução está começando, mas por iniciativa de que têm dinheiro. Para os mais necessitados, é muito difícil”, explicou o empresário local Hernán Soto.
O Governo já concedeu 127.926 concessões para construir ou reparar as casas danificadas, mas a maior parte dos 280 mil desabrigados ainda não as receberam.
O presidente Piñera prometeu US$ 8,4 bilhões de investimento público para a construção de 200 mil casas, mas os moradores afirmaram que ainda nenhuma obra foi iniciada.
A terra não deixou de tremer na região do terremoto. Na semana passada, ocorreu na área um sismo de 6,4 graus de magnitude.