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Chile realiza a eleição presidencial mais disputada de sua história recente

Arquivo Geral

11/12/2009 0h00

O Chile realiza no próximo domingo as eleições mais disputadas de sua história recente, que vão consolidar o reformismo progressista na América Latina ou abrirão caminho para um novo Governo conservador.

Os quatro candidatos a substituir Michelle Bachelet na Presidência em março de 2010 são: o empresário Sebastián Piñera, da opositora Coalizão pela Mudança; o ex-presidente Eduardo Frei Ruiz-Tagle, da governista Concertação; o independente Marco Enríquez-Ominami, e Jorge Arrate, lançado pela esquerda sem representação no Parlamento.

Todas as pesquisas indicam que, apesar de ser o favorito, Sebastián Piñera não conseguirá votos suficientes para ser eleito no primeiro turno. A previsão é que o empresário e o segundo candidato mais votado voltem a se enfrentar nas urnas em 17 de janeiro.

Embora as projeções apontem o senador democrata-cristão Eduardo Frei como o provável concorrente de Piñera no segundo turno, paradoxalmente “a maioria dos eleitores acredita que Marco Enríquez tem mais chances de derrotar” o empresário, diz Roberto Méndez, da empresa de consultoria Adimark.

A acirrada disputa entre estes candidatos é, segundo os analistas, um reflexo das poucas diferenças ideológicas entre eles: os três buscam o apoio das classes populares e média, e os três prometem que farão o melhor com o legado deixado pela Concertação.

Com exceção de Jorge Arrate, ex-ministro de Salvador Allende, nenhum dos candidatos propõe mudanças radicais. Todos apostam em um reformismo moderado. Nas palavras de Piñera, isso equivale a uma “mudança”. Para Frei, o que está em jogo é a “continuidade”. Já para o independente Enríquez-Ominami, a reforma significa “renovação”.

Os três moderados garantem que farão do Chile um país próspero, moderno e desenvolvido, com uma economia aberta e um papel cada vez mais ativo e influente na comunidade internacional.

Eles também elogiam o pragmatismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as reformas sociais de Michelle Bachelet. Por outro lado, condenam o caudilhismo populista visto em alguns países latino-americanos, por entenderem que ele mina as estruturas do Estado democrático.

O que os diferencia, no fim das contas, é a forma como chegaram à política e os apoios que têm.

Eduardo Frei Ruiz-Tagle é de uma família de longa tradição política. Seu pai, Eduardo Frei Montalva, foi um dos presidentes mais carismáticos do Chile e Morreu assassinado em 1982, por agentes do regime militar de Augusto Pinochet, segundo se soube esta semana.

Frei também foi presidente. Eleito no primeiro turno do pleito de 1994, ele enfrentou sérias dificuldades na segunda metade do seu mandato. Nessa época, explodiu a crise econômica no Sudeste Asiático e o ex-ditador Augusto Pinochet foi detido em Londres.

No entanto, Frei tem o apoio da presidente Michelle Bachelet e dos socialistas, democratas-cristãos radicais e social-democratas que integram a Concertação pela Democracia, coalizão criada para derrotar Pinochet nas urnas e que completa duas décadas no poder.

Assim como Frei, Sebastián Piñera tem a política correndo nas veias da família, tradicionalmente democrata-cristã. Mas a vocação empresarial afastou-o desse mundo, até que ele se filiou ao partido de centro-direita Renovação Nacional.

Piñera disputa a eleição com o apoio condicionado da ultraconservadora União Democrata Independente, legenda próxima a setores Pinochetistas, de alguns dissidentes da Concertação e de parlamentares independentes.

Dono de uma fortuna avaliada em US$ 1 bilhão, o candidato da direita costuma elogiar o legado econômico de Pinochet, mas critica as violações aos direitos humanos durante a ditadura.

“Se Piñera vencer, será uma mudança importante no sistema político, porque a direita não chega ao poder democraticamente desde 1958”, ressaltou à Agência Efe Mauricio Morales, do Observatório Eleitoral da Universidade Diego Portales.

Entre Piñera e Frei, está Enríquez-Ominami. Jovem deputado, ele é filho do guerrilheiro Miguel Enríquez, líder do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), assassinado durante a ditadura.

Embora seja oriundo das fileiras da Concertação, Enríquez-Ominami teve que deixar o Partido Socialista para se lançar na corrida presidencial, já que sua candidatura foi rechaçada nas primárias da legenda.

Também filho adotivo do senador Carlos Ominami, figura-chave nos Governos da Concertação, o deputado personifica o desejo de renovação. Não por acaso, conseguiu atrair para si o apoio de um grupo bastante heterogêneo, integrado por políticos descontentes com o Governo, jovens profissionais e partidos nanicos.

Sem chances reais de chegar à Presidência, apesar de ter conseguido o apoio sólido de parte do eleitorado, Jorge Arrate, ex-líder do Partido Socialista e candidato pela coalizão de esquerda Juntos Podemos, propôs a Frei e a Enríquez-Ominami um pacto para frear o avanço da direita.

Nenhum dos dois aceitou publicamente a oferta. Mas todos os analistas acham que aquele que for enfrentar Piñera no segundo turno aceitará de muito bom grado o apoio de Arrate, que será crucial para definir o vencedor das eleições.

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