Os presidentes de Chile, Sebastián Piñera, e Bolívia, Evo Morales, debateram nesta quinta-feira a agenda bilateral, incluindo a reivindicação boliviana de ter acesso ao mar, em um longo encontro realizado em Lima, que marca o reatamento do diálogo entre os dois países, interrompido há quatro meses.
No entanto, Piñera ressaltou que a volta às conversas tem como condição que o Governo boliviano respeite o Tratado de Paz e Amizade de 1904, que pôs fim à guerra entre as nações e cedeu à soberania chilena uma faixa de seu território que comunicava com o oceano Pacífico.
“O diálogo com a Bolívia está aberto. O Chile sempre teve uma postura de diálogo e de boa vontade, mas dentro do marco do respeito aos tratados”, destacou o presidente chileno.
Por sua vez, Morales evitou falar sobre o conteúdo da reunião e se limitou a agradecer a Piñera por ter se disposto a conversar, aproveitando a presença de ambos na capital peruana para assistir à posse presidencial de Ollanta Humala.
Os contatos entre os países estavam congelados desde 23 de março deste ano, quando o presidente boliviano anunciou que recorreria a tribunais internacionais para reivindicar uma saída ao Pacífico.
O anúncio ocasionou, além disso, a suspensão do diálogo que os governos mantinham desde 2006 sobre a base de uma agenda de 13 pontos, entre os quais figurava a aspiração da Bolívia de obter uma saída soberana ao mar, que perdeu na guerra contra o Chile no século XIX.
No entanto, a reunião desta quinta-feira foi convocada “não somente para tratar o tema do mar, embora evidentemente tenha sido muito importante”, detalhou Morales.
“Como países vizinhos, temos muitas responsabilidades sobre comércio, investimento, cooperação, narcotráfico e contrabando”, afirmou.
A reunião entre Morales e Piñera foi administrada pelo chanceler boliviano, David Choquehuanca, e o chanceler chileno, Alfredo Moreno, que também participaram da longa reunião realizada na manhã de nesta quinta-feira em um hotel de Lima.
Perguntado se o presidente boliviano lhe tinha ratificado sua intenção de recorrer a instâncias internacionais para reivindicar a saída ao Pacífico, o presidente do Chile retrucou dizendo que esse assunto não foi tratado na reunião.
“Hoje não conversamos sobre nenhum processo, conversamos sobre enfrentarmos juntos problemas como o narcotráfico e o contrabando. Deixamos claro ao presidente Evo Morales que o Chile sempre esta aberto ao diálogo e a buscar melhores caminhos para que a Bolívia possa, através dos portos chilenos, ter comércio e integração com o mundo, mas dentro do respeito aos tratados vigentes, e muito especialmente ao tratado de 1904”, relatou Piñera.
Os dois países não têm relações diplomáticas desde 1978, quando fracassou uma negociação sobre o pedido da Bolívia de conseguir um corredor soberano em direção ao mar.