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Mundo

Chile convoca seu embaixador do Peru devido à disputa na fronteira

Arquivo Geral

17/01/2008 0h00

O Governo do Chile chamará seu embaixador em Lima, this site Cristián Barros, pill a Santiago, depois da apresentação de um requerimento à Corte Internacional de Haia (Holanda) pelo Peru, que pede a modificação dos limites marítimos entre os dois países.

Em entrevista hoje à emissora de televisão “Canal 13”, o ministro de Relações Exteriores chileno, Alejandro Foxley, confirmou a informação e afirmou que o diplomata viajará a Santiago “para se informar” e que isso não significa que ele será retirado de Lima e descartou o envio de uma nota de protesto ao Governo peruano.

O Chile lamentou ontem a apresentação de uma reivindicação “que ignora os tratados” que estabeleceram os limites há mais de 50 anos e que o Peru aceitou sem objeções, como demonstram as atitudes tomadas durante esse período no território agora reivindicado por Lima.

O Governo peruano espera que Haia concorde com seu ponto de vista que diz que os tratados dos anos 1950 são apenas acordos pesqueiros e que a fronteira marítima não foi definida.

Em suas declarações ao “Canal 13”, o chanceler chileno disse que chamar o embaixador Barros a Santiago “não significa a retirada de embaixadores, mas alguém pode estar pensando em algo muito terrível”.

“Vamos chamá-lo apenas para se informar. Eu vou conversar com ele na quinta-feira e ele deve chegar a Santiago nos próximos dias”, acrescentou Foxley.

“Nós vamos trocar pontos de vista e lhe daremos instruções de como proceder nos próximos diálogos e também a longo prazo”, explicou o chanceler, que também reiterou que “não existem temas pendentes” em matéria de fronteiras com o Peru.

Foxley se referiu ao projeto de lei apresentado há poucos dias no Congresso peruano que pretende modificar a fronteira terrestre, mas ele lembrou que em 1929 foi assinado um tratado que estabeleceu esse limite e que esse ano “uma comissão mista fincou 80 estacas de madeira” na fronteira.

“Assim que (as estacas) foram colocadas, representantes dos dois países se reuniram e assinaram um documento dizendo que aquele era o limite. Ninguém questionou, vivemos em paz com o Peru e ninguém no país durante muitos anos disse que aquele não era o limite”, acrescentou.

O chanceler também explicou que em 1968, devido ao aumento no número de navios no litoral, bóias de sinalização foram colocadas exatamente sobre o traçado da fronteira, o prolongamento paralelo da terra, e que os dois países colocaram bóias alternadas.

“Javier Pérez de Cuéllar, secretário-geral da Chancelaria peruana, nessa época, mandou uma nota dizendo estar de acordo que as bóias eram o limite. Por isso chama a atenção que o pedido do Peru de revisar algo aceito durante muitas décadas”, destacou.

Sobre a tramitação do processo peruano em Haia, Foxley disse que a Corte convocará os diplomatas dos dois países em um período de 30 a 60 dias para acertarem as datas das apresentações peruana e a apresentação chilena.

“O prazo para preparar os peruanos prepararem sua tese pode demorar até um ano e a réplica deve levar outro ano (…) este processo está apenas começando”, disse reiterando sua confiança na vitória chilena.

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