A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI) comemorou, nesta segunda-feira (15), o acordo alcançado entre Teerã e Washington, embora tenha advertido que as repercussões do conflito no abastecimento mundial de energia vão demorar a se dissipar.
Irã e Estados Unidos acordaram, neste domingo, pôr fim a quase quatro meses de guerra, que provocou a paralisação do Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o transporte mundial de combustíveis.
“Quanto antes for resolvido, melhor, sobretudo porque o abastecimento vai demorar a se recuperar dado o dano importante à infraestrutura” no Golfo, escreveu Kristalina Georgieva em nota no site do FMI na internet.
Neste sentido, “o anúncio do cessar-fogo do domingo é bem-vindo”, acrescentou.
A organização, com sede em Washington, deve atualizar em 8 de julho seu informe Perspectivas da Economia Mundial (WEO, na sigla em inglês).
Em abril, o Fundo tinha revisto para baixo as previsões de crescimento mundial devido ao impacto da guerra. No cenário mais grave, projetava que o crescimento mundial cairia para 2% e que a inflação superaria os 6%.
Nesta segunda, Georgieva destacou que a economia mundial “parece resistir no geral”, e disse que seus dois motores, Estados Unidos e China, registram um “dinamismo sólido”.
No entanto, reiterou que o conflito segue sendo “um claro risco para o crescimento mundial” e assinalou “disparidades significativas” em seus efeitos.
“Os países que combinam uma forte dependência das importações de energia com uma margem de manobra limitada no tema das políticas são especialmente afetados”, afirmou.
A tensão é visível na África. E as economias de mercados emergentes da Ásia também foram duramente afetadas, com um aumento de 40% dos preços no varejo da gasolina desde o início da guerra, disse.
Georgieva ressaltou que, até agora, a maioria dos governos tinha solicitado ao FMI orientação no tema de políticas mais que resgates em dinheiro.
Ela destacou que os países exportadores de petróleo do Golfo enfrentam “fortes revisões para baixo do crescimento este ano” por causa da guerra, com “francas contrações” em cinco de oito países.
AFP