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Chefe da autoridade eleitoral do Peru renuncia após irregularidades nas eleições

Piero Corvetto deixa o cargo e afirma que decisão busca reforçar confiança no processo eleitoral

Redação Jornal de Brasília

21/04/2026 16h26

Foto: Luis Robayo/AFP

Foto: Luis Robayo/AFP

O chefe do órgão eleitoral que organizou as eleições gerais no Peru, Piero Corvetto, renunciou ao cargo nesta terça-feira (21), poucas horas antes de comparecer perante o Ministério Público para prestar depoimento sobre irregularidades no processo.

“Espero que minha renúncia contribua para gerar um clima de maior confiança nas eleições”, disse o funcionário em carta publicada em sua conta na rede X.

A carta foi endereçada ao presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que aceitou sua renúncia “por unanimidade”.

Corvetto estava à frente do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe) desde 31 de agosto de 2020 e havia sido ratificado no cargo em 2024.

“Considero necessário e urgente renunciar à responsabilidade que me foi confiada, no interesse da organização e condução do segundo turno das eleições presidenciais em um contexto de maior confiança pública no Onpe”, explicou.

Ele descreveu as irregularidades registradas na distribuição do material eleitoral em Lima, em 12 de abril, como “problemas técnicos e operacionais”.

Esses problemas causaram atrasos na abertura das seções eleitorais na capital peruana e impediram que mais de 50 mil pessoas votassem, forçando uma prorrogação de 24 horas da votação, algo sem precedentes no Peru.

A missão de observação da União Europeia (UE) apontou “graves falhas”, mas especificou que não encontrou “nenhuma evidência objetiva” de fraude, como alegado pelo candidato ultraconservador Rafael López Aliaga.

O Júri Nacional Eleitoral (JNE), a mais alta autoridade eleitoral do país, estima que os resultados finais não serão conhecidos antes de 15 de maio devido a atrasos na apuração dos votos realizada pelo Onpe.

Cédulas encontradas em um contêiner de lixo, registros eleitorais contestados e acusações de fraude lançaram uma sombra sobre o dia da eleição e afetaram a contagem dos votos presidenciais, que já estava paralisada, alimentando ainda mais a desconfiança em instituições já fragilizadas.

– Queda anunciada –

Os peruanos ainda não sabem quem enfrentará a candidata de direita Keiko Fujimori no segundo turno das eleições de 7 de junho; Fujimori é a única candidata com vaga garantida.

O esquerdista radical Roberto Sánchez e López Aliaga estão praticamente empatados em segundo lugar, com Sánchez mantendo uma ligeira vantagem de 14.000 votos, com quase 94% das urnas apuradas.

Corvetto deve comparecer perante o Ministério Público esta tarde para responder a perguntas no processo contra ele, juntamente com outros três funcionários da Onpe, por supostamente interferir no direito ao voto.

A renúncia de Corvetto havia sido exigida pelos candidatos López Aliaga e Fujimori para garantir a credibilidade do segundo turno de 7 de junho.

A queda do chefe da Onpe foi uma questão de horas em meio à intensa pressão política e da mídia para que ele renunciasse.

O JNE também o denunciou ao Ministério Público pelas supostas irregularidades.

AFP

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