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Mundo

Chávez rompe relações com Colômbia e ordena alerta máximo na fronteira

Arquivo Geral

22/07/2010 18h01

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, rompeu hoje as relações do país com a Colômbia e ordenou “alerta máximo” na fronteira comum.

Chávez considerou como “ofensa” e “nova agressão” as denúncias sobre a presença de chefes guerrilheiros em território venezuelano apresentadas na Organização dos Estados Americanos (OEA) pelo Governo colombiano.

O presidente venezuelano também chamou seu colega colombiano, Álvaro Uribe, de “belicista”, e disse que o governante do país vizinho atende às ordens da “direita ianque” e se transforma em uma “ameaça à paz” na região.

“A Venezuela rompe a partir deste momento todas as relações com a Colômbia (…). Vêm aí dias muito perigosos e ordenei alerta máximo na fronteira”, declarou Chávez às portas do palácio presidencial, acompanhado pelo craque Diego Maradona, técnico da Argentina na última Copa do Mundo.

O rompimento foi a resposta de Chávez à “gravidade do ocorrido” na sessão desta quinta-feira no Conselho Permanente da OEA, pedida pelo Governo colombiano para denunciar a presença de chefes guerrilheiros na Venezuela.

A Venezuela “não permite” acampamentos guerrilheiros em seu território e, “se existissem, seria sem a autorização do Governo”, afirmou Chávez.

O chefe de Estado venezuelano disse esperar “que não aconteça nada mais grave” entre os dois países “nos dias que restam” a Uribe à frente do Governo da Colômbia, ou seja, até 7 de agosto.

Segundo Chávez, Uribe é “capaz inclusive de mandar montar um acampamento (guerrilheiro) falso na Venezuela para bombardeá-lo e provocar uma guerra” entre Venezuela e Colômbia, que compartilham uma fronteira de 2.219 quilômetros.

“Não aceitaremos nenhum tipo de agressão ou de violação a nossa soberania. Seria preciso ir chorando a uma guerra com a Colômbia, mas seria preciso ir. Responsabilizo o presidente Uribe”, disse Chávez.

O governante venezuelano declarou confiar que o presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, apesar das diferenças ideológicas, terá um perfil construtivo e de respeito que permita reuniões conciliatórias assim que substituir Uribe.

“Espero que o novo presidente (Santos) não esteja envolvido desta agressão. Esperemos que o presidente eleito contribua para que se retome o caminho da razão na Colômbia e que contribua para que não ocorram coisas mais graves nos próximos dias”, disse Chávez.

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, informou pouco depois do anúncio da ruptura de relações que os funcionários da Embaixada da Colômbia em Caracas têm 72 horas para sair da Venezuela.

Maduro acrescentou que foi ordenado o “fechamento” da embaixada da Venezuela em Bogotá, cujo titular, o embaixador Gustavo Márquez, está em Caracas desde a semana passada quando foi chamado para consultas por causa do anúncio colombiano da apresentação na OEA de provas da presença de guerrilheiros na Venezuela.

A presidente da Assembleia Nacional venezuelana, a governista Cilia Flores, chamou de “ridículo” o exposto pela Colômbia na OEA, o que para ela só comprova “que há uma guerrilha (colombiana) não encurralada”.

“Fizeram o ridículo, trataram de montar um grande circo e acho que nem o povo da Colômbia, nem o da Venezuela, merecem isso”, afirmou Flores.

A Colômbia denunciou hoje a presença “consolidada, ativa e crescente” de 1.500 guerrilheiros na Venezuela e pediu à OEA a criação de uma comissão internacional que verifique em 30 dias a presença de acampamentos das Farc em território venezuelano.

O pedido foi feito pelo embaixador colombiano na OEA, Luis Alfonso Hoyos, na sessão extraordinária de seu Conselho Permanente, na qual perguntou à Venezuela por que não permite a comprovação das afirmações colombianas se são “mentiras e invenções”.

Em julho de 2009, Chávez congelou as relações com a Colômbia em resposta a denúncias, segundo ele “irresponsáveis”, do Governo de Uribe sobre a descoberta de armas venezuelanas em poder da guerrilha colombiana.

As tensões bilaterais aumentaram no último ano com a assinatura do acordo militar pelo qual forças americanas podem utilizar pelo menos sete bases colombianas no combate ao narcotráfico e ao terrorismo.

O acordo foi definido por Chávez como uma “ameaça” a sua ‘revolução bolivariana e socialista’.

O congelamento das relações bilaterais teve grande impacto no setor comercial, que chegou a registrar uma troca comercial de quase US$ 6 bilhões em 2008.

Segundo um relatório do Departamento Administrativo Nacional de Estatística da Colômbia, as exportações colombianas para a Venezuela sofreram uma queda de 76,6% entre janeiro e maio de 2010 na comparação com o mesmo período do ano anterior.

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