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Mundo

Chávez diz que Venezuela exige respeito diante de "pornografia" da imprensa

Arquivo Geral

18/08/2010 18h02

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou hoje que “o país exige respeito” diante do que qualificou de “pornografia” da imprensa privada local, depois de uma corte ter ordenado a proibição de publicar fotos de violência ou sangue.

Reprodução El Nacional

Durante um conselho de ministros, Chávez mostrou a primeira página do jornal estatal “Correo del Orinoco”, que publicou informações referente aos protestos dos médicos que trabalham no necrotério de Caracas diante da publicação em dois diários privados de uma foto de cadáveres em uma de suas salas.

“O país pede respeito”, expressou o líder, ao apoiar as queixas dos funcionários do Necrotério de Bello Monte, o único de Caracas, organismo que centrou a opinião pública colombiana desde a sexta-feira passada, quando o jornal “El Nacional” publicou a foto.

A fotografia, que mostra corpos seminus ou totalmente nus, ensanguentados e amontoados nas mesas do necrotério, foi publicada na sexta-feira pelo “El Nacional” e na segunda-feira pelo “Tal Cual”, ambos muito críticos do Governo.

Um tribunal de Caracas proibiu ontem os dois jornais de publicarem fotos de violência ou de eventos sangrentos e ordenou que todos os demais meios de comunicação do país parem de reproduzir imagens desse tipo.

A medida se estenderá durante um mês, tempo durante o qual o tribunal investigará uma denúncia contra o “El Nacional” e o “Tal Cual” apresentada pela Defensoria Pública, que alegou que a publicação da foto do necrotério afetava crianças e adolescentes.

A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) qualificou hoje a proibição de “ampla e imprecisa demais” e demonstrou inquietação diante da possibilidade de a norma levar à censura ou à autocensura.

 

 

A Assembleia Nacional (AN) da Venezuela aprovou hoje uma reforma em sua legislação bancária que impede acionistas de entidades financeiras de ter simultaneamente ações em veículos de comunicação.

O deputado Ricardo Sanguino, presidente da Comissão de Finanças da AN, disse à imprensa que a reforma aprovada procura “desmantelar o perverso sistema que combina interesses mercantis, industriais, comerciais e financeiros com o sagrado direito à liberdade de informação e comunicação”.

Segundo Sanguino, o objetivo é evitar que os veículos de comunicação sejam usados para respaldar “fraudes e privações ao povo venezuelano”.

A proposta de reforma foi apresentada à AN no último dia 11 pelo vice-presidente venezuelano, Elías Jaua, depois da comprovação de uma “perversa relação” entre o canal privado “Globovisión” e o quebrado Banco Federal por meio de Nelson Mezerhane, acionista das duas empresas.

Jaua disse então que Mezarhane utilizou a “Globovisión” para lançar uma intensa campanha destinada a captar novos clientes e fundos com pleno conhecimento de que a intervenção no Banco Federal por falta de solvência era irreversível.

As autoridades financeiras venezuelanas intervieram no Banco Federal em 16 de junho. No dia 10 de agosto, decidiram por sua “liquidação” para vender parte de seus ativos e cobrir o pagamento de depósitos a clientes.

Em 30 de junho, a Justiça venezuelana ordenou a detenção de Mezerhane, que se tornou foragido porque abandonou o país e viajou, presumivelmente, para os Estados Unidos.

A Promotoria acusou Mezerhane dos crimes de “formação de quadrilha, aproveitamento fraudulento de fundos públicos, aprovação indevida de créditos, apropriação e distração de recursos financeiros, divulgação de informação financeira falsa e ocultação de informação na declaração institucional”.

Para Mezarhane, seu processo é uma represália política do presidente venezuelano, Hugo Chávez, pelas críticas feitas a sua gestão pela “Globovisión”.

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