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Mundo

Chávez diz que complô contra seu Governo já foi <i>neutralizado</i>

Arquivo Geral

13/09/2008 0h00


Caracas, web 13 set (EFE) – O presidente venezuelano, Hugo Chávez, revelou hoje que pediu aos líderes sul-americanos para não se preocuparem com o complô contra si, “já abortado e neutralizado”, e encararem o fato de que, na Bolívia, “estão derrubando” o chefe de Estado, Evo Morales.

Chávez afirmou que seu amigo e aliado Evo Morales enfrenta o mesmo tipo de ação que foi realizada contra si em abril de 2002, quando o presidente venezuelano foi derrubado durante dois dias, fruto, segundo ele, de “outro plano ianque” (em alusão aos Estados Unidos).

“Disse a Evo: a mesma coisa que aconteceu aqui é quase idêntica ao que está ocorrendo agora na Bolívia”, destacou Chávez.

“Alguns altos comandantes militares (…), pressionados e comprados pelo império dos EUA, pela CIA (agência de inteligência americana), estão de braços cruzados, permitindo aos grupos armados paramilitares e fascistas fazer e desfazer”, acrescentou.

Ele aproveitou a assinatura hoje, no palácio presidencial de Miraflores, de acordos de cooperação com Portugal para confirmar que irá à convocação da presidente do Chile, Michelle Bachelet, para que a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se reúna na segunda-feira em Santiago para debater a situação da Bolívia.

“É preciso deter a loucura do fascismo na Bolívia e evitar uma tragédia maior (…); estamos empenhados em evitar (o agravamento da crise boliviana) e vamos evitá-lo, como uma irmandade que somos, um grupo de companheiros e bons amigos na América do Sul”, disse.

A atual ação regional contrasta, disse Chávez, com “o silêncio” que predominou quando, há 35 anos, o presidente chileno da época, o socialista Salvador Allende, foi deposto.

A convocação de Bachelet “é um bom sinal de que na América do Sul as coisas já não são como antes”, quando derrubaram Allende “e este continente silenciou e não apenas um dia, porque um golpe de Estado não se prepara em um dia”, defendeu.

“Foram anos de agressão contra o Chile, de sabotagem econômica, midiática, terrorismo e, no final, a derrubada”, afirmou o presidente venezuelano.

“Enquanto a América do Norte agredia, a do Sul calava; covarde, por um lado, cúmplice, pelo outro, e nossos povos, nem covardes nem cúmplices, desinformados, e manipulados (…), mas hoje não vamos ficar calados”, ressaltou.

Chávez revelou que, nas últimas horas, conversou com todos os governantes sul-americanos e a cada um disse: “Estão derrubando Evo diante de nós; estão ferindo um povo debaixo de nossos narizes e não podemos ficar de braços cruzados, não podemos ficar calados”.

O chefe de Estado venezuelano identificou a riqueza petrolífera e de gás de seu país e da Bolívia entre as causas dos complôs.

“É a causa de peso das agressões. Vá ver se é coincidência que as agressões de maior empenho, força e persistência venham contra a Venezuela e a Bolívia”, e, fora da região, contra o Iraque e o Irã, destacou.

“É o empenho do império para se apossar das fontes de energia”, acrescentou, e, depois de advertir de que “é impossível que consiga isso”, defendeu que “o próximo presidente dos EUA entenda que isto é uma loucura” e faça “uma virada estratégica”, para que essa nação “algum dia se transforme em uma fábrica de amigos”.

A América do Sul defenderá governantes eleitos nas urnas e que lutem por “desenvolvimento, vida, paz, justiça, eqüidade, igualdade”, disse Chávez.

“Somos obrigados a apontar nosso agressor; não podemos ficar calados diante da pretensão permanente de agressão não só contra a Venezuela e a Bolívia”, onde a violência dos últimos dias deixou “um alto saldo de pessoas mortas”, lembrou.

Ele lamentou que, na sexta-feira, “as quadrilhas de sicários estrangeiros que estão na Amazônia da Bolívia e que estão atacando o coração da América do Sul tenham massacrado 20 pessoas”.

Chávez revelou que os líderes sul-americanos também expressaram preocupação com o denunciado boicote contra si, principalmente a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, a quem disse: “Não se preocupe conosco, que aqui está tudo sob controle, aqui já abortamos e neutralizamos” o complô.

“Aqui agora temos um povo organizado, uma Força Armada sólida e comprometida com o povo, com a Constituição, com a democracia e um Governo muito mais fortalecido que ontem, e uma economia afortunada”, ressaltou.

O ministro do Poder Popular para Relações Interiores e Justiça, Tarek el-Aissami, anunciou nas últimas horas a detenção do vice-almirante reformado Carlos Millán, acusado de ser “um dos principais envolvidos no plano de conspiração golpista” contra Chávez, denunciado na quarta-feira.

O funcionário confirmou que “já são cinco as pessoas detidas por ter vínculo com o plano de magnicídio”.

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