O ministro de Assuntos Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, disse hoje em discurso na Assembleia Geral da ONU que chegar a um acordo com os palestinos “pode durar décadas” e que a Autoridade Nacional Palestina (ANP) “desperdiçou” tempo ao não aceitar um acordo sobre a moratória dos assentamentos.
Lieberman afirmou que “há falta de confiança entre as partes” e disse que, “nessas condições”, seria preciso se concentrar “em um acordo intermediário a longo prazo, o que pode levar décadas”.
“Temos de educar uma nova geração que tenha confiança no outro e não se deixe influir pelas mensagens extremistas e provocadoras”, declarou o ministro israelense em seu discurso nos debates públicos do novo período de sessões da Assembleia Geral.
No entanto, o Gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanhayu, precisou em comunicado que o discurso de Lieberman não reflete a posição do Governo. “O conteúdo do discurso do ministro de Exteriores na ONU não foi coordenado com o primeiro-ministro”, indicou a nota.
Lieberman considerou que o principal obstáculo para alcançar o acordo é “o atrito entre duas nações”. Para ele, “o princípio a guiar o processo rumo a um acordo final não deve ser o de paz por territórios, mas o de troca de territórios povoados”.
“Não estou falando de mudança de povoados, mas de transferir as fronteiras para que se ajustem às realidades demográficas”, insistiu.
O chefe da diplomacia israelense rejeitou a ideia de que os assentamentos judaicos em território ocupado sejam o principal obstáculo para um acordo com a ANP, já que, segundo ele, Israel assinou a paz com Jordânia e Egito, apesar da presença de colonos em território conquistado na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Lieberman lembrou que, em troca da retirada dos assentamentos na Faixa de Gaza, “temos o Hamas no poder e o lançamento de milhares de mísseis contra Sderot e o sul de Israel”.
No discurso, o ministro israelense contestou o argumento de que, para enfrentar o “assunto iraniano”, primeiro se deve resolver o conflito com os palestinos. Liberman alega que o Irã pode “frustrar” qualquer acordo por sua influência em “organizações terroristas” como Hamas, Jihad Islâmica e Hisbolá.
“Portanto, buscamos um acordo perdurável com os palestinos, que aborde as verdadeiras raízes do conflito e perdure por muitos anos, é preciso entender que primeiro se deve resolver o assunto iraniano”, ressaltou.
Lieberman negou que exista em Israel uma divisão entre os que querem a paz e os que preferem a guerra. “Estamos dispostos a conseguir uma solução justa e cooperar com a comunidade internacional. No entanto, não estamos dispostos a comprometer nossa segurança nacional ou os interesses vitais do Estado israelense”.
Após a decisão do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de não ampliar a prorrogação sobre os assentamentos de colonos judeus na Cisjordânia que expirou no domingo, o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, disse na segunda-feira em Paris postergou uma decisão sobre o reatamento das negociações até depois da reunião da Liga Árabe de 4 de outubro.
Anteriormente, Abbas tinha assinalado que a continuidade das conversas de paz reatadas no último dia 2 em Washington corria risco caso Israel não prorrogasse a moratória.