O ministro das Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro, disse hoje, em Brasília, que o Governo do presidente Hugo Chávez aguardará “com paciência e otimismo” que os Congressos de Brasil e Paraguai se pronunciem sobre a entrada do país no Mercosul.
“Nós já somos Mercosul”, mas ainda “faltam passos formais” para que o bloco, formado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, “tenha sua quinta estrela”, declarou Maduro, após uma reunião com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
O acordo de adesão da Venezuela ao Mercosul foi aprovado pelos Governos dos quatro países-membros em 2006, mas até o momento só foi ratificado pelos Congressos de Argentina e Uruguai.
No Brasil, após acalorados debates, o protocolo será submetido a uma votação definitiva no Senado na próxima terça-feira, enquanto que no Paraguai, o Governo o retirou temporariamente da pauta parlamentar, por medo de que não seja aprovado.
Maduro, que conversou hoje sobre o assunto com Amorim, disse que “não pode haver ninguém que duvide” que, na prática, “a Venezuela já faz parte do Mercosul”.
“Quem vê as relações políticas estreitas e de confiança que a Venezuela tem hoje com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, ou a relação econômica profunda, de integração através de projetos concretos, não pode duvidar”, assegurou.
Segundo o ministro, a incorporação plena da Venezuela ao bloco “multiplicará o estímulo a essas relações econômicas e comerciais com os países do Mercosul” e será um passo rumo “à construção de uma grande zona econômica de desenvolvimento sul-americano”.
Maduro explicou que, durante a reunião com Amorim, também foram discutidos diferentes projetos de cooperação bilaterais, sobretudo nas áreas de infraestrutura, industrial, agrícola, energia, tecnológica e financeira.
“Há projetos diversos que revisamos a fim de estabelecer um plano especial para a aceleração da cooperação em 2010”, que será apresentado aos presidentes Chávez e Luiz Inácio Lula da Silva durante o primeiro trimestre do ano que vem, disse Maduro.