A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu nesta quinta-feira apoio parlamentar e da população à nova era energética proposta por seu Governo, que envolve o fim da geração de energia nuclear até 2022 e uma aposta na economia e nas fontes renováveis.
Alemanha enfrenta um “trabalho hercúleo” para reformar completamente sua política energética, mas “somos o país das ideias” e “a primeira nação industrializada do mundo” a apostar no fim da energia atômica e no fomento prioritário das renováveis, disse Merkel diante do plenário do Parlamento federal (Bundestag).
Após lembrar que a Alemanha superou de maneira exemplar a crise financeira internacional, a líder democrata-cristão (CDU) afirmou que “o país tem potencial e força” para alcançar o objetivo que “se assemelha à quadratura do círculo”, mas que é técnica e financeiramente alcançável.
Depois da aprovação na segunda-feira no gabinete ministerial do pacote de projetos de lei, o discurso de Merkel abriu sua tramitação urgente no Bundestag para que antes da pausa de verão seja sancionado na Câmara Alta (Bundesrat), e pelos estados (Lander), e entre imediatamente em vigor.
A oposição social-democrata (SPD) e verde criticou Merkel por tomar para si uma iniciativa que esses dois partidos colocaram no ano 2000. Apesar das críticas, as legendas deixaram escapar que apoiarão o projeto de lei que sanciona o blecaute nuclear e estudarão minuciosamente as outras dez propostas legislativas para a nova política energética.
O Governo “rompeu inutilmente há poucos meses o consenso básico” para o fim da energia atômica e agora trata de recuperá-lo fazendo-se passar “pelo inventor da mudança energética”, criticou o líder parlamentar do SPD, Frank-Walter Steinmeier.
“Vinte e cinco anos depois de Chernobil, a CDU tira as consequências de Fukushima. Tardiamente, mas é o correto”, declarou o porta-voz parlamentar dos verdes, Jürgen Trittin, que ironicamente agradeceu a Merkel por sua iniciativa que dá fim a uma década de resistência às velhas propostas no que diz respeito à energia da atual oposição.
A chanceler colocou em seu discurso metas para 2020, como conseguir que até lá 35% da produção elétrica na Alemanha parta de plantas de energia renováveis e 80% em 2050. Ela quer também que o consumo elétrico caia 10% ao longo dos próximos dez anos.
Para isso será necessário, disse, não só fomentar a construção de novos parques eólicos, mas ampliar drasticamente as redes de alta tensão e incentivar a renovação ecológica dos prédios para reduzir o consumo de energia e conseguir que seu impacto climático seja nulo em 2050.
Prometeu um relatório anual diante da câmara baixa alemã para verificar a mudança da política energética baseada nos estudos do Escritório Federal de Estatística e outras análises energéticas para “comprovar que o plano funcione”.
“Podemos ser a primeira nação industrializada do mundo a mudar a matriz energética para o modelo do futuro”, ressaltou a chanceler.
Ela reconheceu diante do plenário que “Fukushima mudou sua postura sobre energia nuclear” e por isso revogou a lei aprovada pelo seu próprio Governo em outono passado para prolongar a vida das centrais atômicas até meados de 2030.
A chanceler alemã reiterou seu pedido de apoio à população à nova política energética. Conforme a governante alemã, se todos querem o fim da era nuclear, não devem impor obstáculos ou reivindicações legais a construção de novas redes de alta tensão e futuros parques eólicos. “Quem diz A, também deve dizer B”, afirmou Merkel.
Para ela, “os objetivos só poderão ser alcançados com uma reforma profunda no modelo de abastecimento elétrico”, que aposta nas energias renováveis e, principalmente, nos parques eólicos marítimos e em terra.