O Exército e as forças de segurança da Síria dispararam nesta quinta-feira de forma indiscriminada nos acessos de Ma’arat al-Numan, ao noroeste de Damasco, e milhares de pessoas fugiram, informaram grupos opositores sírios.
A organização Flash postou no Facebook que milhares de cidadãos fugiram dessa localidade, situada na província de Idleb, onde os corpos de segurança disparam indiscriminadamente em suas entradas, porém, ainda não se sabe o número de vítimas.
Os denominados Comitês de Coordenação Locais na Síria indicaram que o Exército já entrou nesta cidade, mas não há notícias de nenhum bombardeio.
Flash acrescentou que as Forças Armadas se espalharam no município de Jan Shijun, na mesma província, enquanto mantém o cerco em torno de Yisr al Shogur.
Esta zona foi objeto de um assalto militar no fim de semana passada que resultou na morte de 120 soldados de segurança por ataques de grupos armados no último dia 6, de acordo com a versão dos meios de comunicação estatais.
Além disso, a rede revelou que todos os acessos à Duma, nos arredores de Damasco, estão fechados e que as forças de segurança instalaram barreiras dentro e fora da cidade, onde há um grande contingente militar.
Em Maadamiya, as Forças Armadas voltaram nesta quinta-feira com seus tanques nos arredores, apontou o grupo Sham pelo Facebook.
Enquanto isso, foram efetuadas inúmeras prisões em Bustan al Hamimi e em Al Rami, na província de Latakia, junto à costa mediterrânea, indicou o Observatório dos Protestos na Síria.
Em Duma, centenas de mulheres participaram de manifestações em solidariedade às regiões atacadas.
Já a Revolução Síria contra Bashar al Assad informou que 1,5 mil estudantes se reuniram em Aleppo, a segunda cidade do país, situada ao norte de Damasco, para expressar seu apoio a seus compatriotas.
A agência de notícias estatal síria “Sana” que citou uma fonte militar não identificada que explicou que algumas unidades do Exército e dos corpos de segurança continuam nesta quinta-feira perseguindo membros de “organizações terroristas armadas” em localidades próximas a Yisr al Shogur para restabelecer a tranquilidade.
A fonte reiterou que os moradores de Yisr al Shogur tentam voltar para seus lares já que a situação se acalmou após a entrada do Exército neste município.
As Forças Armadas culparam os “grupos armados” do massacre do dia 6, enquanto que os grupos opositores negam a existência dessas milícias e disseram que o ataque foi devido à deserção de várias unidades militares que se uniram aos manifestantes.
Nenhuma dessas versões pôde ser confirmada devido ao controle ferrenho das autoridades que expulsaram, prenderam, ameaçaram e torturaram vários jornalistas.
Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, 1.297 civis e 340 militares e policiais morreram por repressão a protestos contra o regime de Bashar al Assad iniciados em março.