Em meio a gritos de “contem cada voto” e “democracia agora” os manifestantes – muitos deles mulheres – fizeram uma reunião durante as primeiras horas da manhã nas proximidades de um hotel, no centro de Washington, onde um comitê do partido planeja decidir hoje o que fazer com os votos dos dois Estados.
Hillary, que mantém uma dura queda-de-braço há quase seis meses pela candidatura presidencial democrata com o senador por Illinois Barack Obama, é a principal defensora de que se incluam os delegados da Flórida e de Michigan.
Sua campanha diz que a inclusão dos resultados destas primárias permitirá a Hillary vencer na votação popular, um argumento com o qual a senadora por Nova York conta para convencer a elite do partido de que ela é a legítima vencedora das primárias que serão concluídas na próxima terça, em Dakota do Sul e Montana.
A ex-primeira-dama americana venceu na Flórida e em Michigan, e pediu que “todos” os delegados sejam contados, uma solicitação que parece ser difícil de ser alcançada, pois Obama não incluiu seu nome nas cédulas de Michigan.
À espera da decisão, Fabiola Rodríguez, diretora de comunicação para o mercado hispânico da campanha de Hillary Clinton, afirmou hoje à Agência Efe que só o fato de ainda estarem na campanha já é uma vitória.
Do lado de fora do hotel, a passeata atraiu uma animada multidão que surgiu de diferentes partes do país.
Entre eles estava Elisabeth MacNaughton, uma psicóloga aposentada de 90 anos que não teve dúvidas em viajar de Houston (Texas) para Washington para expressar sua solidariedade com Hillary e sua causa.
“O ano em que nasci, 1918, foi o primeiro no qual as mulheres puderam votar no Texas”, declarou MacNaughton à Agência Efe, além de garantir que gostaria de ver uma mulher na Casa Branca.
MacNaughton diz estar convencida de que, além de ser mulher, “Hillary é a melhor candidata”, e lamentou o que na sua opinião é uma campanha contra Hillary, algo que atribui ao “machismo”.
A moradora de Houston não é a única que compartilhava desta opinião.
Shu Israel, um imigrante etíope de 50 anos que trabalha em uma empresa de consultoria imobiliária em Washington, também afirma que “nos EUA ainda é aceitável ser machista”.
“Isto explica que duvidem de Hillary, façam comentários sobre suas rugas, sua aparência física e a roupa que usa”, explicou à Efe uma indignada senhora que diz ser raro escutar comentários desta natureza sobre Obama.
Tom Zidik, um operário de 54 anos de Harrisburg (Pensilvânia) evitou entrar em temas de gênero e disse que o importante “é que os eleitores não paguem pela decisão dos líderes do partido”.
“Que os penalizem e não os eleitores”, declarou.
A passeata contou também com uma reduzida presença de defensores de Obama, como Keegan Schlake, um jovem de 25 anos de Orlando (Flórida) que simplesmente considera “vergonhoso” o fato de seu estado não estar representado.
As normas democratas afirmam que as prévias nos dois estados em questão não podia ser realizadas antes de 5 de fevereiro, mas Michigan convocou seus eleitores em 15 de janeiro e a Flórida em 29 de janeiro.
A pressão popular fez com que o Partido Democrata reconsiderasse sua decisão de penalizá-los, embora a maioria dos observadores acredite que só serão incluídos metade dos delegados.