A Casa Branca, que analisa agora os próximos passos na luta contra o terrorismo após a morte de Osama bin Laden, reconheceu que o líder da Al Qaeda estava desarmado quando morreu, e estuda se irá publicar as fotos do corpo.
Diante da confusão semeada nos primeiros momentos sobre os detalhes da operação contra Bin Laden, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, em sua entrevista coletiva diária, forneceu nesta terça-feira mais detalhes e algumas retificações sobre como um grupo militar dos comandos especiais Seals agiram para caçar o terrorista.
Quando o comando americano entrou no complexo da cidade de Abbottabad, nos arredores de Islamabad, Bin Laden resistiu ao ataque, indicou Carney. “O pessoal americano no terreno agiu com o maior profissionalismo e o abateu na operação, diante da resistência que ele apresentou”, narrou Carney.
Segundo o porta-voz, Bin Laden, que era chamado pelo codinome “Gerônimo”, “não estava armado”. Questionado sobre isso, Carney respondeu que não é necessário estar armado para resistir.
Uma das esposas do líder terrorista, que estava com ele quando ambos foram descobertos, avançou contra um dos militares americanos, que atirou na perna dela. Embora ferida, não morreu, diferente do que tinha informado anteriormente John Brennan, assessor de segurança nacional da Casa Branca.
O corpo de Bin Laden foi transportado ao porta-aviões americano Carl Vinson, no mar de Arábia, onde foi lavado, envolvido em um lençol branco – conforme os ritos islâmicos – e jogado ao mar após a recitação de preces em inglês e árabe.
Agora, a Casa Branca analisa se deve publicar fotografias do corpo de Bin Laden, mas admite que leva em conta o efeito “incendiário” que essas imagens poderiam despertar, pois o Governo as considera muito “truculentas”.
Carney pediu paciência aos jornalistas. “Estamos analisando a situação e tomaremos a decisão apropriada”, declarou. Os serviços de Inteligência não querem que a eventual divulgação de imagens do corpo do líder da Al Qaeda possa pôr em perigo o êxito de futuras operações.
No entanto, o diretor da CIA – agência de Inteligência americana -, Leon Panetta, disse não ter dúvidas de que cedo ou tarde o Governo dos Estados Unidos decidirá publicar uma foto do corpo de Bin Laden.
“O Governo esteve claramente discutindo sobre como fazê-lo melhor, mas não acredito que haja dúvidas de que, em última instância, uma fotografia será mostrada ao público”, afirmou Panetta em entrevista à rede de televisão “NBC”, que irá ao ar ainda nesta terça-feira, mas que já teve trechos antecipados pela emissora.
A Casa Branca está ciente sobre as exigências dessas imagens para a comprovação da morte de seu inimigo público número um. Os familiares das vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001 também as reivindicaram, com o argumento de que lhes ajudará a virar a página.
Segundo fontes do Pentágono, a Casa Branca possui três séries de imagens: fotos do corpo, vídeos da cerimônia em que o corpo foi jogado ao mar do porta-aviões Carl Vinson e imagens do interior da residência onde vivia o líder terrorista.
Após a morte do inimigo público número um dos EUA, o Governo de Washington estuda agora os próximos passos que devem ser dados e como melhor neutralizar a Al Qaeda – nas palavras de Carney, uma organização “ferida, dolorida, mas ainda viva”.
Em entrevista concedida à revista “Time”, Leon Panetta advertiu que a morte do saudita não deve ser considerada a solução do problema do terror. “Estamos um pouco mais seguros… mas não acho que devamos nos enganar achando que, ao matar Osama bin Laden, destruímos a Al Qaeda”.
A morte do terrorista, lembrou Carney, não irá alterar o calendário de retirada das tropas do Afeganistão, que começará conforme o previsto em julho.
Os serviços secretos já começaram a analisar os pertences de Bin Laden. Entre eles, foram encontrados computadores e discos rígidos.
Os especialistas buscam também determinar como foi possível que Bin Laden e sua família se escondessem por tanto tempo nesse complexo, aparentemente por anos, sem que ninguém se desse conta.
Neste sentido, Carney defendeu o papel do Governo paquistanês, um “aliado-chave na luta contra o terrorismo”. A relação bilateral, acrescentou, é “complicada, mas importante”.
Na entrevista à “Time”, Panetta disse que o Paquistão não foi informado sobre a operação – a mais secreta dos últimos tempos nos EUA – para evitar que Bin Laden pudesse receber algum indício sobre ela.
O êxito da operação já promoveu a imagem política de Obama nas pesquisas de opinião. O jornal “Washington Post” antecipa nesta terça-feira uma alta de nove pontos percentuais na popularidade do presidente americano, que é agora de 58%.