A Casa Branca advertiu nesta sexta-feira o Governo sírio de que tomará “medidas adicionais” a menos que parem com o uso da violência e as detenções maciças contra os manifestantes que reivindicam reformas democráticas.
Em comunicado, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, indicou que “os atos deploráveis da Síria contra seu povo merecem uma firme resposta internacional”.
Ao menos que se produza uma “mudança significativa” na atual atitude do regime do presidente Bashar al Assad, incluindo o fim das mortes de manifestantes pelas mãos das forças de segurança e da detenção e assédio de opositores, assim como uma verdadeira reforma política, “EUA e seus parceiros internacionais adotarão passos adicionais”, adverte Carney.
Neste sentido, EUA dão as boas-vindas às sanções adotadas pela União Europeia (UE), indicou Carney.
O presidente americano, Barack Obama, já assinou no último dia 29 uma ordem executiva que impõe sanções contra entidades e personalidades do regime.
O Governo sírio, denuncia o porta-voz, “continua seguindo a pauta de seu aliado iraniano ao recorrer à força bruta e às violações flagrantes dos direitos humanos para suprimir os protestos pacíficas”.
Ao longo das últimas duas semanas, ressalta, “ficou claro que a campanha de segurança do Governo sírio nem restabelecerá a estabilidade nem deterá as reivindicações de mudança na Síria”.
Também está claro, explicou, que os “anúncios falsos de reformas”, como o fim da lei de Emergência ao tempo que se aumentam as detenções sem ordens judiciais, “também não satisfazem as exigências de mudança na Síria”.
Em seu comunicado, o porta-voz prestou homenagem à coragem dos manifestantes ao insistir em seu direito a expressar-se livremente e lamentou “a perda de vidas em todos os bandos”.
Por sua parte, o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, assegurou em sua entrevista coletiva diária que a missão americana na Síria segue “pressionando ao Governo para que cessação a violência contra os cidadãos inocentes que simplesmente estão tratando de expressar suas aspirações de um futuro mais democrático”.
Toner expressou a “preocupação” dos Estados Unidos perante a detenção da jornalista da “Al Jazeera” Dorothy Parvaz, de tripla nacionalidade – americana, canadense e iraniana -, e assegurou que solicitaram acesso consular às autoridades sírias.
Dezenas de milhares de pessoas desafiaram nesta sexta-feira o regime sírio e tomaram as ruas de várias cidades para pedir a queda do presidente Bashar al Assad, apesar da repressão militar dos protestos, que causou mais de uma vintena de mortos.
Nesta nova jornada de protesto, convocada pelos grupos opositores e batizada como “Sexta-feira do desafio”, as manifestações se estenderam por muitas cidades, mas os incidentes mais sangrentos se registraram nas cidades de Homs e Hama, ao norte de Damasco.