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Mundo

Caricaturistas mexicanos lançam campanha contra violência no país

Arquivo Geral

10/01/2011 17h41

Vários dos principais caricaturistas do México lançaram nesta segunda-feira uma campanha nos jornais em que trabalham contra a onda de violência que há no país e que desde o final de 2006 deixou mais de 30 mil mortos, segundo dados oficiais.

Os caricaturistas também criticaram a estratégia de combate frontal lançada pelo presidente Felipe Calderón contra o crime organizado.

“É incrível que o México seja um país que está sendo vítima desta onda de sangue igual à do Afeganistão e do Iraque. É inconcebível que se esteja vivendo isto no México”, disse esta manhã à emissora “MVS” Eduardo del Rio, mais conhecido como “Rius”.

Segundo “Rius”, eles lançaram a campanha nesta segunda-feira na tentativa de atrair a população.

“Não acho que haja ninguém que esteja contente com a situação que estamos vivendo. Mas muita gente se cala e diz ‘não podemos fazer nada, é impossível que nossa voz seja ouvida'”, declarou.

Já Rogelio Naranjo, do “El Universal”, desenhou uma caveira em meio a uma poça de sangue segurando uma placa que diz “Chega de sangue”.

No mesmo jornal, Helio Flores desenhou uma mão com um cartaz em que se lê “Basta de sangue”.

O “La Jornada” também traz várias caricaturas que tratam da violência, entre elas uma de Rafael Barajas, conhecido como “El Fisgón”, com o presidente Felipe Calderón derramando sangue de um coração em uma xícara, que transborda e cai sobre a parte de baixo da cena, em que se lê “Chega de sangue”.

Em sua série de fábulas de policiais e ladrões, publicadas pelo jornal “Reforma”, José Trinidad Camacho, mais conhecido como “Trino”, dá vida a um ladrão que comete um roubo sem pistola. No cartum, a vítima oferece a ele uma bolsa de dinheiro para que vá embora sem ferí-la.

Para “Ruis”, quem teve a ideia da campanha, o objetivo é convocar a população para que se junte a esta iniciativa e descruze os braços.

Ele também lamentou a passividade de deputados, senadores e governadores, que “continam calados permitindo que esta situação piore”.

“Acho incrível que um único homem decida por mais de cem milhões de habitantes no México”, declarou.

O último fim de semana foi de muita violência no país, principalmente em Acapulco, onde no sábado foram encontrados os corpos de 15 pessoas decapitadas. Ao todo, foram registrados 28 assassinados nessa cidade do estado de Guerrero desde sexta-feira à noite.

Segundo dados oferecidos pela Procuradoria Geral da República (PGR) em 16 de dezembro, em 2010 houve 12.456 mortes violentas em todo o país, em sua maioria associadas ao crime organizado.

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