O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, colheu nesta segunda-feira uma amarga derrota política no segundo turno das eleições municipais em Milão, onde a centro-esquerda venceu a disputa.
A perda de seu partido, o Povo da Liberdade (PDL), na eleição para a Prefeitura da capital da Lombardia após 18 anos de uma coalizão administrada pela centro-direita se uniu à incapacidade da legenda para se impor em cidades como Nápoles, Trieste e Cagliari.
Trata-se de um duro revés para o líder, que definiu estas eleições como um plebiscito para seu Governo e advertiu os eleitores de que, se a esquerda ganhasse, Milão se transformaria em “uma Ciganópolis Islâmica” ou “um Stalingrado da Itália”.
Apesar do golpe, Berlusconi reiterou nesta segunda de Bucareste (Romênia), onde está em viagem oficial, que a maioria governamental está unida e decidida.
“Perdemos, isso é evidente. Não existe outro caminho a não ser permanecer tranquilo e prosseguir. A maioria está unida e determinada a realizar as reformas”.
Além disso, o premiê explicou que, após ficar sabendo dos resultados do pleito, falou com um membro no Governo, o líder da Liga Norte, Umberto Bossi, que confirmou seu apoio. Tal declaração foi ratificada pelo ministro do Interior e dirigente da Liga Norte, Roberto Maroni, ao reiterar que a continuidade do Governo italiano “não está em risco”.
As relações entre Berlusconi e seus parceiros no Governo atravessam uma situação delicada como evidenciaram as recentes declarações de Bossi: “Antes o PDL ganhava votos com a Liga, agora a Liga perde votos com o PDL”.
Fiel ao estilo apresentado durante a campanha eleitoral, o chefe do Executivo italiano comentou que cada vez que sofre uma derrota consegue “triplicar suas forças”. O premiê disse não se sentir culpado e declarou que agora “os milaneses devem rezar para que não aconteça nada de ruim”.
Berlusconi rejeitou a possibilidade de renunciar, como foi sugerido pela oposição, especialmente pelo Partido Democrata (PD), cujo secretário-geral, Pierluigi Bersani, afirmou nesta segunda que o chefe do Governo “não tem capacidade” para governar.
Bersani acrescentou também que “o casamento” entre a Liga e o PDL está em “profunda crise”, com discordâncias entre ambas as formações. O dirigente progressista destacou que nestas eleições municipais a centro-esquerda conseguiu 66 cidades frente às 55 de 2006, quando esta força política obteve seus melhores resultados.
O secretário-geral do PD se referiu aos dados registrados nesta segunda em Milão, onde a prefeita Letizia Moratti, candidata do PDL, obteve 44,89% dos votos contra 55,1% do candidato da centro-esquerda, Giuliano Pisapia, do PD.
Em Nápoles, as coisas não foram melhores para o partido de Berlusconi, pois seu candidato Gianni Lettieri obteve 34,62% do total extraído das urnas, performance muito inferior à do ex-juiz Luigi De Magistris, candidato do partido opositor IDV, que obteve 65,37%.
Sobre esta vitória, Berlusconi reiterou que em Nápoles “se arrependerão muito” de terem votado em De Magistris, cuja vitória foi esmagadora.
O PD ficou excluído da corrida pela Prefeitura no primeiro turno, realizada nos dias 15 e 16 de maio, após 15 anos de Governo de centro-esquerda na cidade.
Uma decadência para a força progressista no qual pesaram os numerosos escândalos de corrupção interna e sua má gestão nas crises do lixo que afetaram a cidade nos últimos anos.
Os resultados adversos de hoje para o chefe do Governo italiano se somam aos registrados no primeiro turno destas eleições municipais parciais, onde serão renovadas 1.315 Prefeituras e 11 cargos de deputado provincial, e que deram à centro-esquerda as Prefeituras de outras cidades importantes e ricas do norte do país como Bolonha e Turim.