Um tribunal administrativo do Cairo proibiu neste sábado que o candidato à presidência do Egito, Ayman Nur, concorra nas eleições, por ter sido preso no ano passado.
Segundo fontes judiciais, a corte proibiu Nur, principal rival do ex-presidente Hosni Mubarak no pleito de 2005, a participar das eleições de maio, como candidato e como eleitor. O texto diz que todo condenado por um delito que não tenha recebido absolvição total não tem direito a registrar-se como candidato à chefe de Estado.
Nas eleições de 2005, Nur foi o principal adversário de Mubarak e conseguiu 7% dos votos. No entanto, pouco tempo depois, o político foi preso por ter falsificado assinaturas para a fundação de seu partido. Nur passou mais de três anos na prisão até que foi libertado por questões de saúde.
A decisão judicial também poderá ser aplicada em casos similares ao de Nur, como o do candidato da Irmandade Muçulmana, Jairat al Shater. Al Shater, engenheiro de 62 anos, foi condenado a sete anos de prisão em abril de 2008 por lavagem de dinheiro e participação em uma organização ilegal, mas foi libertado após o triunfo da Revolução que derrubou Mubarak em fevereiro de 2011.
Por causa da sentença, a Irmandade Muçulmana decidiu neste sábado apresentar um segundo candidato, o presidente do Partido Liberdade e Justiça (PLJ), Mohammed Mursi. Um porta-voz do PLJ, Ahmed Subaya, disse à Agência Efe que a decisão foi tomada por haver a possibilidade da candidatura de Jairat al Shater ser rejeitada.
Outra candidatura que levantou dúvidas é a do xeique Hazem Abu Ismail, por causa da dupla nacionalidade de sua falecida mãe. A Comissão Eleitoral confirmou neste sábado que recebeu um relatório do Ministério de Exteriores egípcio indicando que Naual Abdelaziz, mãe de Abu Ismail, tirou a nacionalidade americana em 2006.
Segundo a Constituição, nem o presidente da República nem seus pais podem possuir outra nacionalidade além da egípcia. No entanto, a Comissão não esclareceu se Abu Ismail já está fora da corrida presidencial. Neste domingo termina o prazo para registro dos candidatos às eleições presidenciais.