A candidata à Presidência do Haiti Mirlande Manigat declarou nesta quinta-feira que a realização do pleito de 20 de março constitui um passo “importante” para que haja mudanças “fundamentais” no país.
“Os setores que não estão de acordo com o segundo turno têm o direito de se manifestar”, disse Mirlande em entrevista coletiva.
No segundo turno, ela enfrentará o cantor Michel Martelly, quem nesta quinta-feira foi a Cap-Haïtien, no norte do país, para iniciar sua campanha junto ao também cantor Wyclef Jean, quem lhe prestou seu apoio.
Martelly foi recebido por milhares de seus partidários, que o cumprimentaram e aplaudiram, assim como a Jean, que não pôde se lançar como candidato às eleições por não cumprir os requisitos para isso, conforme informaram as autoridades eleitorais haitianas.
Na entrevista coletiva que marcou o início da campanha pelo segundo-turno, Mirlande declarou que está refletindo “sobre a estrutura” sobre a qual se formará seu Governo, e reiterou seu propósito de trabalhar pela educação e pelo retorno dos milhares de deslocados pelo terremoto de 12 de janeiro de 2010 a seus lares.
A ex-primeira-dama haitiana acrescentou que, durante o encontro que manteve na segunda-feira passada com o presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, ele prometeu abordar a situação do Haiti com os líderes da América Latina após a posse do novo Governo.
A campanha eleitoral, que se estenderá até 17 de março, tomou força no país, e pelo menos duas companhias telefônicas estão enviando mensagens de texto em que tanto Mirlande quanto Martelly convocam seus seguidores para votar.
O Conselho Eleitoral Provisório (CEP) pediu na noite de quarta-feira aos candidatos que respeitem a lei eleitoral e mantenham um ambiente de calma durante a campanha.
O presidente do órgão eleitoral, Gaillot Dorsainvil, pediu o “respeito” dos princípios e da “civilidade política”.
Além de escolher o sucessor do presidente do país, René Préval, os eleitores também elegerão 79 membros da Câmara dos Deputados (outros 20 já ganharam sua cadeira no primeiro turno) e sete senadores, que se somarão aos quatro que já foram eleitos.
O CEP informou nesta semana que necessitará de US$ 2 milhões suplementares para realizar o segundo turno.
No domingo, o Brasil ofereceu US$ 330 mil de contribuição para a realização do pleito.
O Haiti vive uma crise humanitária desde 12 de janeiro de 2010, quando um terremoto deixou mais de 300 mil mortos, ao que se soma a tragédia ocasionada pela epidemia de cólera que já provocou mais de 4,5 mil mortes desde outubro.
O primeiro turno das eleições foi realizado em 28 de novembro e seus resultados provocaram uma crise política no país, que foi superada depois que a Organização dos Estados Americanos (OEA) realizou uma apuração dos votos a pedido do Governo haitiano.
Após essa apuração, Martelly assumiu o segundo lugar, que, a princípio, o Conselho Eleitoral Provisório tinha declarado que era do candidato governista, Jude Celestin.
A comunidade internacional mostrou-se a favor do relatório da OEA e, finalmente, as autoridades eleitorais aceitaram esse veredicto, que deu a Martelly a oportunidade de enfrentar Mirlande no segundo turno.
No pleito de 28 de novembro, ela se impôs com mais de 10 pontos de vantagem sobre Martelly.