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Mundo

Campanha eleitoral é encerrada no México sob a sombra da violência

Arquivo Geral

01/07/2010 16h59

A campanha para a eleição deste domingo no México, na qual serão escolhidas as autoridades locais de 14 estados e os governadores de outros 12, foram encerradas hoje sob a sombra do assassinato do candidato a governador Rodolfo Torre Cantú.

 

Cerca de 30 milhões de mexicanos devem votar neste domingo, após uma campanha dominada por uma onda de violência, na qual vários candidatos foram assassinados, qualificada pelos analistas como uma “guerra suja”.

 

No primeiro caso, a Secretaria de Governo (Interior) reforçou a segurança de alguns candidatos que denunciaram ameaças por parte do narcotráfico e estabeleceu um “protocolo de coordenação” para assegurar a tranquilidade da eleição.

Por sua vez, a Promotoria Especial Para o Atendimento de Delitos Eleitorais (Fepade) assegurou que o pleito não será afetado pela renúncia de seu titular na quarta-feira, Arely Gómez González, já que o órgão iniciou um operativo especial, com 53 funcionários, para atender possíveis irregularidades.

Em meio a estes fatos, segundo pesquisas e analistas, o Partido Revolucionário Institucional (PRI) se dirige a uma vitória que pavimentaria o caminho rumo ao pleito presidencial de 2012, depois da agremiação ter deixado a Presidência em 2000 após 71 anos de poder absoluto.

Para as eleições deste domingo, os partidos devem se valer de várias estratégias, incluindo alianças entre inimigos políticos, como as do esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD) com o conservador Partido Ação Nacional (PAN), cujo propósito é bloquear o caminho do PRI.

 

O PAN e o PRD denunciaram que governadores priistas intervieram ilegalmente nos processos eleitorais de seus estados através da injeção de recursos públicos às campanhas de seus candidatos.

O PRI, por sua vez, acusou seus oponentes de espionagem telefônica.

Segundo o analista José Antonio Crespo, o combate às irregularidades também foi feito com atitudes ilícitas, o que significa um retrocesso na democracia eleitoral.

Até a segunda-feira a chamada “guerra suja” concentrava a campanha nos pleitos locais, mas o assassinato de Cantú, candidato do PRI ao governo do estado de Tamaulipas, sacudiu o ambiente eleitoral.

As autoridades mantêm a hipótese de que por trás desse assassinato se encontra o crime organizado, que em Tamaulipas está visivelmente representado por dois violentos cartéis do narcotráfico, o do Golfo e Los Zetas, antes aliados e agora inimigos de morte.

Em maio também foi registrado em Tamaulipas o homicídio de Mario Guajardo, candidato do PAN à Prefeitura de Valle Hermoso.

No entanto, eles não são os únicos candidatos mortos neste processo eleitoral. Também em maio Joel Arteaga, candidato a vereador do PRI no município de Calera foi morto a tiros no estado de Zacatecas.

Há quatro anos o país vive uma onda de violência atribuída à guerra entre cartéis das drogas e destes contra milhares de soldados e agentes federais, que já deixou 25 mil mortos.

O analista político Lorenzo Meyer considera que “o PRI pode ter uma grande vitória nestes 12 estados”, o que reafirmaria o que aconteceu em 2009, quando o partido conseguiu a maioria simples na Câmara dos Deputados, desbancando o PAN, e ganhou cinco dos seis estados em disputa esse ano.

Dos 14 estados onde haverá eleições este domingo, 12 renovarão seus Governos, congressos locais e Prefeituras, e em dois apenas Prefeituras e deputados.

O PRI governa em nove desses 12 estados, o PAN dois e o PRD em um. Em vários desses deles, como Oaxaca, Veracruz e Puebla, os priistas estão no poder há 80 anos.

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