“O Governo não tortura pessoas. Cumprimos as leis americanas e a legalidade internacional”, afirmou Bush hoje, no Salão Oval da Casa Branca.
O presidente assegurou que tanto os programas de detenção como os interrogatórios aplicados pela CIA são bem-sucedidos, legais e servem para “proteger melhor” os americanos.
“Quando encontramos alguém que poderia ter informação sobre um possível ataque contra os Estados Unidos, lógico que o detemos e o interrogamos”, afirmou.
“Os americanos esperam de nós que obtenhamos essa informação através dos serviços de inteligência, de modo que possamos protegê-los. Este é nosso trabalho”, enfatizou.
Bush assegurou que os responsáveis pelos interrogatórios são pessoas “altamente treinadas para lidar com terroristas e extremistas”.
O presidente disse que as técnicas utilizadas nos interrogatórios foram reveladas completamente aos membros do Congresso, em referência às críticas recebidas pelos democratas, que têm a maioria das duas câmaras legislativas.
Esta semana foram publicados dois memorandos secretos de 2005 nos quais se autorizavam táticas de interrogatório extremas contra supostos terroristas.
O jornal “The New York Times” publicou na quinta-feira o conteúdo dos documentos, o que gerou uma onda de críticas contra os programas de detenção e de interrogatório utilizados pela CIA.
Segundo o jornal, o ex-secretário de Justiça dos Estados Unidos Alberto Gonzales teria respaldado em segredo o uso das técnicas rígidas de interrogatório.
O Departamento de Justiça declarou publicamente em dezembro de 2004 que a tortura era uma prática “execrável”, mas a situação mudou após a nomeação de Gonzales, em fevereiro de 2005, segundo o jornal.
A publicação cita como fontes vários funcionários que receberam instruções sobre as novas táticas de interrogatório.
As novas ordens circularam em documentos secretos que davam “uma autorização explícita para (…) táticas causadoras de dor física e psicológica”, que incluíam bater na cabeça, simular afogamento e submeter os detidos a baixas temperaturas.
Este memorando sobre “efeitos combinados” para os interrogatórios foi objetado pelo então vice-ministro de Justiça, James B. Comey, que advertiu seus colegas no departamento de que se “envergonhariam” quando isto fosse revelado.
No final do mesmo ano, o Congresso ilegalizou o tratamento “cruel, desumano e degradante” aos réus, e posteriormente o Departamento de Justiça emitiu outra “opinião secreta”, segundo o jornal, na qual assegurava que os métodos de interrogatório utilizados pela CIA não violavam estes padrões.