Após sua reunião, Bush e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, posaram para as fotos e, após algumas palavras à imprensa, andaram juntos de mãos dadas pelo jardim de buganvílias no qual estavam.
Nos países árabes, andar de mãos dadas com outro homem é um costume muito tradicional, pelo que o fato não chamou muita atenção em Sharm el-Sheikh.
No entanto, ver Bush nessa situação tão inusitada surpreendeu a delegação que o acompanha em sua viagem oficial, já que o chefe de Estado americano não hesita em exaltar sua masculinidade quando a ocasião pede.
Faltando menos de seis meses para deixar a Casa Branca, Bush viajou para Sharm el-Sheikh para reforçar seus vínculos com aqueles que considera seus melhores aliados no Oriente Médio.
Depois das muitas críticas recebidas depois de ignorar totalmente os palestinos em seu discurso perante a Knesset (Parlamento israelense) esta semana, Bush pretendia se aproximar deste povo.
Apesar disso, Bush deve precisar de muitos passeios de mãos dadas para conquistar a estima dos cidadãos árabes.
Como explicou à Agência Efe Mahmoud, um taxista que trabalha em Sharm el-Sheikh, “é muito complicado encontrar um árabe que goste de Bush”.
“A maioria das pessoas o odeia, não fez nada para conseguir nossa estima”, ressaltou Mahmoud.
Após ouvir esta opinião, soam ainda mais estranhos os elogios a Bush feitos por Abbas e pelo presidente afegão, Hamid Karzai, nesta que deve ser a última viagem do governante americano pelo Oriente Médio como inquilino da Casa Branca.
“Sabemos muito bem que o senhor, pessoalmente, assim como sua Administração, estão comprometidos com a busca da paz neste ano. Estamos encantados com que o presidente (Bush) esteja acompanhando tudo, até o mínimo detalhe, do que ocorre nas negociações palestinas”, disse Abbas.