Os cinco países-membros do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), emitiram nesta terça-feira uma nota na qual classificam de “obsoleta” a tradição de que o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) seja europeu.
“A convenção de que a seleção do diretor-gerente seja feita, na prática, com base em sua nacionalidade enfraquece a legitimidade do Fundo Monetário Internacional”, afirmaram os representantes dos cinco países no organismo.
Na nota, os membros do Brics expressaram “preocupação com as declarações públicas realizadas recentemente por altos dirigentes europeus, afirmando que o diretor-gerente deve continuar sendo um europeu”.
Dessa maneira, o Brics se opõe formalmente ao acordo de cavalheiros que, desde a fundação do FMI e do Banco Mundial (BM) em 1945, destina a direção do Fundo a um europeu e a do BM a um americano, e reafirmam que chegou o momento de um representante do mundo em desenvolvimento liderar o FMI.
As cinco grandes economias emergentes reiteram que o sucessor de Dominique Strauss-Kahn, que renunciou ao cargo na quinta-feira passada por envolvimento em um escândalo sexual, “deve estar comprometido com o contínuo processo de mudança e reforma da instituição para que se adapte às novas realidades da economia mundial”.
No mundo em desenvolvimento, começaram a aparecer candidatos ao cargo, como o presidente do Banco Central do México, Agustín Carstens. O nome do eleito será conhecido no final de junho, quando o FMI completará o processo de seleção, iniciado nesta segunda-feira.