Menu
Mundo

Breivik reivindica atentados terroristas como ato "patriótico" à Noruega

Arquivo Geral

17/04/2012 10h52

O militante ultradireitista Anders Behring Breivik fez nesta terça-feira uma acalorada defesa dos atentados que cometeu em 22 de julho na Noruega e nos quais morreram 77 pessoas, ao considerá-los um “ato de bondade” e “patriótico” frente ao que chamou de defensores do “multiculturalismo”.

 

Breivik não só não se arrependeu, mas garantiu que cometeria os crimes “novamente” se pudesse, e atacou duramente o Partido Trabalhista, atualmente no poder na Noruega, e seu movimento juvenil, que segundo ele “se parecem muito com as Juventudes Hitlerianas”.

 

As 69 pessoas que matou na ilha norueguesa de Utoeya, em sua maioria participantes do acampamento das Juventudes Trabalhistas e quase todas executados a sangue frio, foram alvo de um duro ataque na declaração por escrito que Breivik leu durante mais de uma hora.

 

“Não eram inocentes, crianças civis, mas ativistas políticos que trabalham pelo multiculturalismo”, disse Breivik, que os qualificou como gente “doutrinada e com lavagem cerebral”. Ele ainda chamou o acampamento de Utoeya de “campo de doutrinamento para ativistas políticos” dirigido por “um dos comunistas mais extremistas da Noruega”.

 

A extensão da declaração por escrito, que durou mais do que o dobro da meia hora que tinha anunciado, e a dureza de suas palavras fizeram com que a juíza principal, Wenche Elizabeth Arntzen, o repreendesse várias vezes e pedisse a ele que fosse respeitoso.

 

Breivik defendeu seu direito de explicar “dados essenciais” para justificar os atentados e, embora tenha prometido “ter consideração” com os familiares das vítimas e os sobreviventes presentes na sala e em outras de todo o país onde o julgamento é transmitido, não economizou adjetivos e conseguiu ler a declaração até o fim.

 

O fundamentalista de 33 anos começou falando em nome da Ordem dos Templários Europeus e de “muitos noruegueses e escandinavos”, e se vangloriou de ter cometido “a operação mais espetacular feita por um militante nacionalista neste século”.

 

O objetivo dos atentados, primeiro com uma caminhonete-bomba no complexo governamental de Oslo e depois em Utoeya, era mudar a política de imigração do governo trabalhista e evitar uma futura guerra civil na qual morreriam “centenas de milhares de pessoas.

 

“Se alguém é mau são os multiculturalistas. A única coisa que deveria surpreender a Noruega e a Europa é por que um ato assim não ocorreu antes”, afirmou.

 

Sobre a chance de ser condenado à prisão perpétua “ou morrer como um mártir por esta causa”, Breivik disse que “é a maior honra que poderia ter”.

 

O militante ultradireitista tachou como “propaganda que beira a comédia” os comentários que o citam como “psicótico”, “narcisista” ou “fascista”.

 

Em sua declaração, que ao contrário da abertura do julgamento, ontem, não foi transmitida ao vivo por televisão em respeito às vítimas, reiterou as ideias defendidas no manifesto que divulgou na internet horas antes dos atentados.

 

Após a Segunda Guerra Mundial – disse ele -, os “marxistas culturais” e os “liberais” dominaram a Europa em aliança contra os “conservadores culturais” e os “nacionalistas”, estabelecendo uma “ditadura” camuflada sob uma democracia que na realidade não existe: os primeiros controlam a cultura, e os segundos, a economia.

 

Breivik reivindicou o direito de se defender frente aos “atos cruéis” que os europeus sofreram nas mãos dos muçulmanos, desde estupros a assassinatos ou atentados como os de Madri.

 

Seus ideais são difíceis de serem entendidos, admitiu o próprio Breivik, que se mostrou convencido de que muitos acabarão compreendendo que o multiculturalismo “fracassou” porque é uma ideologia “destrutiva”. O fundamentalista afirmou ainda que atentados foram “em defesa dos noruegueses étnicos e de sua cultura”, e por isso não se considera culpado.

 

“Agi em uma situação de necessidade pelo meu povo, minha cultura, minha religião, meu país”, disse Breivik ao fechar sua declaração.

 

No começo do segundo dia do julgamento que durará dez semanas, a corte de Oslo decidiu substituir um dos três juízes leigos que compõem o tribunal por considerá-lo “inábil” após a divulgação, hoje, de que há alguns meses ele pediu a pena de morte para Breivik em um comentário em uma rede social.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado