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Brasileiro condenado por tráfico de drogas na Tailândia tem pena reduzida por perdão do rei

Condenado a sete anos por levar 6,5 kg de cocaína, Jordi Beffa deverá cumprir mais um ano e cinco meses antes de retornar ao Brasil

Redação Jornal de Brasília

10/09/2025 12h27

O ministro Luiz Fux, que integra a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou duramente, nesta quarta-feira (10), o processo que julga o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros corréus por arquitetar uma trama golpista, e defendeu que a corte não deve "realizar um juízo político". Fux é o terceiro dos cinco ministros da Primeira Turma a votar pela condenação ou absolvição do ex-presidente (2019-2022), acusado, juntamente com outros sete ex-colaboradores de ter conspirado para se manter no poder em 2022, após perder as eleições para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Bolsonaro, de 70 anos, em prisão domiciliar, pode ser condenado a uma pena de mais de 40 anos de prisão. Até agora, o placar está em 2 a 0 a favor da condenação, após os votos do ministro relator Alexandre de Moraes, seguido pelo colega Flávio Dino. Para ser condenado ou absolvido, é necessária uma maioria simples de três votos, embora o veredicto e uma eventual pena não serão adotados formalmente até que todos os juízes tenham se pronunciado. Ao iniciar a exposição de seu voto, Fux disse que "não compete ao Supremo Tribunal Federal realizar um juízo político" e defendeu a "incompetência absoluta" do tribunal para julgar um ex-presidente, considerando que o caso deveria ser examinado por uma instância judicial inferior. Ele também indicou que foi apresentado de forma "tardia um verdadeiro tsunami de dados, sem identificação suficiente", em alusão ao argumento da defesa que sustenta ter recebido muitas supostas provas com pouco tempo para analisá-las. Suas declarações não permitem por enquanto antecipar qual será seu voto. Entre os ministros que votaram na terça-feira esteve Moraes, alvo de um suposto plano de assassinato que, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), fazia parte da trama golpista. Para Moraes, o ex-presidente teria chefiado uma organização criminosa para dar um golpe de Estado, que não se concretizou por falta de apoio da cúpula militar. "O Brasil quase volta a uma ditadura", disse o ministro. - Tensões com Washington - O julgamento tensionou a relação entre as autoridades brasileiras e Washington. O presidente americano, Donald Trump, impôs tarifas punitivas de 50% a produtos brasileiros, sob o argumento de que existe uma "caça às bruxas" contra Bolsonaro, seu aliado. Seu governo também aplicou sanções contra altos funcionários, incluindo Moraes. "Alguém imagina que um cartão de crédito ou o Mickey (Mouse) vão mudar um julgamento no Supremo?", ironizou, na terça-feira, o segundo ministro a votar, Flávio Dino, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública de Lula, em alusão aos Estados Unidos. Brasília denunciou na terça-feira supostas novas ameaças de Washington. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump "não teme usar o poder econômico e militar dos Estados Unidos para proteger a liberdade de expressão no mundo", ao responder a uma pergunta sobre possíveis novas sanções contra o Brasil e outros países. O Itamaraty emitiu uma nota na terça-feira, condenando "as ameaças de uso da força" contra o Brasil e os poderes públicos "não se intimidarão por qualquer forma de atentado" à soberania do país. - "Remédio amargo" - "Eu torço pela anistia do Bolsonaro", disse à AFP Marisa Almeida, vereadora paraense de 31 anos, que viajou em seu aniversário a Brasília para uma vigília noturna pelo ex-presidente na terça-feira. Enquanto se aproxima o veredicto, a direita pressiona no Congresso pela votação de uma anistia para centenas de bolsonaristas condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, que poderia incluir o ex-presidente. A Procuradoria-Geral da República afirma que Bolsonaro incentivou estes atos como um último recurso para se manter no poder. "Nunca estamos a favor de tarifas", disse Clayton Prudencio, um homem de 42 anos que se apresenta como influenciador digital, "porém às vezes você toma um remédio que é amargo mais é necessário para ser curado". ffb-app/ll/nn/mvv/jcFoto: Reprodução/Jordi Beffa no Facebook

Foto: Reprodução/Jordi Beffa no Facebook

FOLHAPRESS

Preso em 2022 ao desembarcar no aeroporto de Bancoc com 6,5 kg de cocaína, o paranaense Jordi Beffa recebeu perdão real do rei da Tailândia em agosto e terá sua pena reduzida. A informação foi confirmada à Folha de S.Paulo por seu advogado.

Jordi, à época com 24 anos, foi detido no mesmo dia em que outros dois brasileiros foram presos também com uma carga de cocaína de 9 kg. Natural de Apucarana (PR), o jovem foi condenado a sete anos de prisão. Com a redução, ele deve cumprir mais um ano e cinco meses de pena.

“O perdão real é concedido pelo rei da Tailândia. Guardadas as peculiaridades de cada país, pode-se dizer que equivale ao indulto natalino praticado no Brasil”, disse o advogado Petrônio Cardoso, defensor de Jordi.

Ele disse ter sido informado da decisão pela Embaixada do Brasil em Bancoc.

O perdão concedido pelo rei Maha Vajiralongkorn levou em conta o bom comportamento e a disponibilidade para trabalhos internos, segundo Cardoso.

Sua pena, cumprida desde 2022, ainda deve durar mais um ano e cinco meses, de acordo com a defesa. Depois disso, ele estará livre para voltar ao Brasil.

A legislação tailandesa é conhecida pelo rigor na punição a condenados por tráfico. Existe a possibilidade de pena de morte para este tipo de crime no país, dependendo do tipo de droga.

Segundo o advogado, a comunicação de Jordi é feita prioritariamente com os pais dele, por meio de videoconferências, em um aplicativo da prisão em Samut Prakan, onde ele está detido, a 40 km da capital tailandesa. De acordo com as informações que Cardoso recebeu da embaixada, o jovem está em bom estado de saúde e não fez reclamações sobre a sua situação na prisão.

O Ministério das Relações Exteriores afirma que presta assistência consular ao brasileiro desde 2022 por meio da embaixada. A pasta não divulga nomes ou o desdobramento do caso.

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