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Mundo

Brasil pede que países ricos reduzam emissões em pelo menos 40%

Arquivo Geral

10/12/2009 0h00

O Brasil e mais 35 países assinaram um texto, incluído nas negociações da cúpula da ONU sobre a mudança climática (COP15), que exige que os países industrializados reduzam suas emissões de gases estufa em pelo menos 40%, quase o dobro do proposto pelo bloco industrializado.


O anúncio do documento foi feito em entrevista coletiva pelo chefe da delegação brasileira em Copenhague (Dinamarca), Luiz Alberto Figueiredo Machado, que tentou minimizar o texto vazado no começo da semana e cuja distribuição foi atribuída a países emergentes como China, Brasil e Índia.


“Não era um texto formal e não foi distribuído pelo Brasil. Era um papel com ideias, um documento de trabalho redigido em um momento específico das negociações, há algumas semanas. E já foi superado”, afirmou Machado.


Segundo o brasileiro, o único documento que o Brasil defendeu nas sessões plenárias é o que reivindica aos países ricos, até 2020, um corte de 40% nas emissões de poluentes em relação aos níveis de 1990. “Essa é a nossa postura”, disse.


O número dista dos 20% prometidos pela União Europa (UE), dos 25% propostos pelo Japão e dos 17%, em relação aos níveis de 2005, sugeridos pelos Estados Unidos.


A respeito das dificuldades nas negociações, Machado declarou que a maioria dos países ricos “está tendo dificuldades” em propor “números claros” sobre a ajuda financeira que darão para que as nações em desenvolvimento possam minimizar a mudança climática.


“Espero que nos próximos dias seja possível estabelecer as bases para que, na semana que vem, tenhamos números claros, reais e expressivos”, afirmou.


O brasileiro destacou que a adaptação dos países em desenvolvimento ao aquecimento global “requer uma profunda revolução tecnológica e dos patrões de produção”, o que implica “despesas e a possibilidade (de estas nações) receberem recursos externos” financiados pelos países ricos.


Ontem, Machado disse que nem Brasil nem o resto dos países em desenvolvimento aceitarão um compromisso obrigatório quanto à redução das emissões.


No que se refere a liberação de gases estufa pelos países em desenvolvimento, a única coisa que existe são as Ações Nacionais de Mitigação Apropriadas (Namas, na sigla em inglês), que são voluntárias, esclareceu.


Como exemplo do compromisso do Brasil na luta contra a mudança climática, a delegação brasileira apresentou em seu pavilhão as particularidades da Fundação Amazônia, apoiada pelo BNDES.


O projeto, criado em 2007, permitiu que o desmatamento da Amazônia – a principal causa das emissões de CO2 no Brasil – fosse reduzido em 75% nos últimos cinco anos.

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