Os Governos do Brasil, Chile e Peru detectaram até agora quase 5 mil carros roubados em seus países na lista de quase 130 mil veículos contrabandeados que se beneficiarão na Bolívia de uma anistia decretada pelo presidente Evo Morales, informaram nesta quinta-feira fontes oficiais.
O embaixador brasileiro em La Paz, Marcel Biato, indicou em entrevista coletiva que são “milhares” os carros roubados no Brasil inscritos na base de dados da alfândega boliviana e que serão regularizados.
Biato não revelou a quantidade exata de carros contrabandeados, mas outras fontes oficiais confirmaram à Agência Efe que o número ronda os 4 mil, que aparecem em uma base de dados de veículos roubados nos últimos 11 anos, e acrescentaram que esse número pode aumentar no decorrer da investigação.
O diplomata ofereceu a entrevista coletiva ao lado do vice-chanceler boliviano, Juan Carlos Alurralde, após uma reunião com autoridades da alfândega que administram a anistia de veículos contrabandeados decretada por Morales.
Segundo o embaixador, o Brasil intercambiou dados com a alfândega boliviana e os carros registrados como roubados serão confiscados para serem devolvidos a seus proprietários.
Biato afirmou que a troca de dados aconteceu porque os carros que foram roubados e entraram em território boliviano por contrabando poderiam estar vinculados ao narcotráfico e ao roubo de armas.
O vice-chanceler Alurralde destacou que o cruzamento de informações com os países vizinhos permitiu que fossem encontrados os carros roubados e afirmou que eles serão apreendidos e devolvidos a seus proprietários.
Alurralde acrescentou que a Bolívia não quer divulgar o número preciso de veículos denunciados como roubados porque isso, segundo ele, poderia impedir as apreensões.
Morales justificou a legalização do contrabando de veículos com o argumento de que são comprados por “pessoas pobres”, que buscam “melhorar seu status” e compram carros ilegais porque são baratos.
“Todos temos direito a ter nosso carro”, declarou líder em junho passado.