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Mundo

Bombardeios deixam ao menos 15 mortos na Síria

Arquivo Geral

02/06/2011 16h47

Pelo menos 15 pessoas morreram nesta quinta-feira ao norte de Damasco pelos bombardeios do Exército, segundo uma ONG, em um novo episódio de violência registrado depois de o regime sírio anunciar na quarta-feira a formação de um organismo para dar início ao diálogo nacional.

O grupo Comitês Locais de Coordenação na Síria revelou na sua página no Facebook que os bombardeios foram registrados na cidade de Al Roston, ao norte da capital, e que foram utilizados tanques e aviões.

Esses comitês revelaram que os ataques atingiram as mesquitas de Abu Baker e Abdul Rahman e a principal padaria da cidade, situada perto da cidade de Homs.

A organização, que conseguiu identificar alguns mortos, acrescentou que algumas casas foram bombardeadas e que famílias inteiras morreram. Além disso, informou que não é possível resgatar os feridos por causa dos contínuos ataques.

Também afirmou que as autoridades proíbem a entrada de alimentos e medicamentos em Roston.

Na cidade litorânea de Baniyas, vários cidadãos foram detidos nesta quinta-feira, denunciaram os comitês.

Enquanto isso, uma coluna de tanques do Exército entrou nesta quinta-feira em Talbisa, também ao norte de Damasco.

A rede opositora Sham afirmou em sua página no Facebook que grandes reforços de segurança chegaram de diferentes pontos a Roston, onde foram registrados bombardeios intensos.

O grupo Flash revelou que as forças de segurança irromperam nesta quinta-feira em cidades ao sul de Damasco, onde há franco-atiradores a postos nos terraços dos edifícios.

Enquanto as manifestações antigovernamentais e a ação repressiva do Exército e da Polícia continuam na Síria, nesta quinta-feira cerca de 300 opositores que aprovaram uma declaração que visa à queda do presidente sírio, Bashar al Assad, se reuniam na localidade turca de Antalya, informou a agência de notícias “Anatólia”.

 

“Bashar al Assad deve sair pacificamente. Propomos a ele que ceda seus poderes a um de seus subordinados. Se o fizer, ganhará tempo e evitará o derramamento de sangue. Se não o fizer, o consideraremos responsável por tudo o que ocorrer na Síria”, disse um membro da Irmandade Mulçumana síria.

 

Os opositores convocaram para sexta-feira uma jornada de protestos batizada como “Sexta-feira das crianças da liberdade”, em homenagem aos menores mortos durante as revoltas.

Estes fatos ocorrem depois que Assad decretou na quarta-feira a formação de um organismo para iniciar um diálogo nacional e tentar dar fim à crise no país.

Esse órgão se encarregará de estabelecer as bases do diálogo e determinará seus mecanismos de trabalho e seu calendário.

Em 13 de maio, o Governo sírio anunciou que nos próximos dias ia celebrar um diálogo nacional e que Assad tinha recebido personalidades das distintas províncias para escutar suas opiniões e reivindicações.

No entanto, essas conversas ainda não começaram de forma oficial.


Desde que eclodiram os protestos políticos em meados de março, o regime de Assad tentou reprimi-los sem sucesso com a adoção de várias medidas.

Na terça-feira passada, o líder ordenou uma anistia geral, que incluía os presos políticos, para os réus que tivessem cometido crimes até esse dia e que consistia no perdão da metade da pena sempre e quando não houvesse uma denúncia interposta por um indivíduo.

Em 11 de maio foi criado um comitê para elaborar uma minuta de uma nova lei eleitoral para a realização de eleições gerais.

Finalmente, em 21 de abril, o Governo aprovou a derrogação da Lei de Emergência, vigente desde 1963, a eliminação do Alto Tribunal da Segurança do Estado e apoiou uma nova lei que garantia o direito da população de convocar protestos pacíficos.

Além disso, em meados de abril foi anunciado um novo Governo com o ex-ministro da Agricultura Adel Safar como novo primeiro-ministro.

Mais de mil manifestantes já morreram desde o início dos protestos, que se intensificaram e se estenderam a várias cidades da Síria. 

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