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Bolívia expulsa embaixadora da Colômbia por ‘ingerência’ em protestos

Governo boliviano acusa Bogotá de ingerência após presidente colombiano classificar protestos contra Rodrigo Paz como uma “insurreição popular”

Redação Jornal de Brasília

20/05/2026 12h39

Fotos: Sergio Lima e Raul Arboleda/AFP

Fotos: Sergio Lima e Raul Arboleda/AFP

A Bolívia anunciou, nesta quarta-feira (20), a expulsão da embaixadora da Colômbia, a quem acusa de “ingerência”, depois que o presidente Gustavo Petro qualificou os protestos enfrentados pelo governo de Rodrigo Paz como uma “insurreição popular”.

Desde o início de maio, camponeses, operários, mineiros e outros trabalhadores exigem, com fortes manifestações, a renúncia do recém-empossado presidente boliviano, em meio à pior crise econômica do país em quatro décadas.

A decisão “responde à necessidade de preservar os princípios de soberania, não ingerência e respeito mútuo entre Estados”, informou a chancelaria boliviana em um comunicado.

O Ministério das Relações Exteriores disse que deu à embaixadora, Elizabeth García, um “prazo”, sem especificar, para deixar o país, e acrescentou que a decisão não implica ruptura das relações bilaterais.

Em sua conta na rede social X, Petro disse no domingo passado que “a Bolívia vive uma insurreição popular” como “resposta à soberba geopolítica”, e acrescentou que seu governo “está disposto, se for convidado, a buscar fórmulas pacíficas de saída para a crise política boliviana”.

A Bolívia “considera indispensável que toda avaliação ou pronunciamento externo a respeito da situação interna do país” seja feita com “responsabilidade” e “prudência diplomática”, afirmou a chancelaria.

Em declarações à Caracol Radio nesta quarta-feira, Petro respondeu ao tomar conhecimento da medida da Bolívia: “Se expulsam a embaixadora por propor um diálogo, é porque estão partindo para extremismos”.

“A Bolívia, tal como está neste momento, precisa se abrir a um grande diálogo nacional (…), ou a consequência pode ser um massacre contra a população”, acrescentou o presidente colombiano.

Com confrontos constantes com a polícia e bloqueios de estradas que isolam e mantêm desabastecida a cidade de La Paz, sede do governo, os manifestantes insistem em pedir a renúncia do presidente boliviano.

O governo de Paz considera que os protestos contra ele são uma tentativa de “golpe de Estado” e que são orquestrados pelo ex-presidente socialista Evo Morales, foragido da Justiça por um caso de suposto tráfico de uma menor.

A expulsão da embaixadora colombiana ocorre um dia depois de os Estados Unidos apoiarem publicamente Paz.

“Isto é um ‘golpe’ financiado por essa aliança entre política e crime organizado em toda a região” da América Latina, disse o subsecretário de Estado americano, Christopher Landau.

AFP

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