Um bispo polonês foi condenado nesta quinta-feira (29) por não ter denunciado abusos sexuais contra menores cometidos por dois padres de sua diocese, um fato sem precedentes neste país católico, terra natal do falecido papa João Paulo II.
O bispo Andrzej Jez foi condenado em primeira instância pelo Tribunal de Tarnow (sudeste) a dois anos de liberdade condicional e ao desconto de 25% de seu salário durante o mesmo período, valor que será destinado a uma associação de proteção à infância.
Durante uma coletiva de imprensa após o anúncio da sentença, a porta-voz do distrito de Tarnow, Malgorzata Stanislawczyk-Karpiel, celebrou a “sentença sem precedentes”.
A defesa informou que recorrerá da condenação.
A acusação, por sua vez, ressaltou que o bispo não pode alegar sigilo de confissão, uma vez que, segundo a jurisprudência canônica estabelecida pelo falecido papa Francisco, não se aplica aos casos de abuso sexual.
Desde 2017, o Código Penal polonês obriga todos os cidadãos a informar as autoridades competentes sobre esses crimes, independentemente da condição do agressor.
O Ministério Público acrescentou que, embora o religioso tenha denunciado os fatos, os prazos legais já haviam expirado, o que permitiu que os padres envolvidos escapassem, em parte, da Justiça.
A prescrição diz respeito a um dos dois padres. Os abusos atribuídos ao segundo, que está com a saúde fragilizada, continuam sendo objeto de um processo.
Segundo a imprensa polonesa, haveria dezenas de supostas vítimas neste caso.
AFP