A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt pediu hoje que a ONU forneça um status internacional às vítimas do terrorismo que permita que elas saiam do anonimato e as ajude a reivindicar seus direitos.
A ex-candidata presidencial colombiana fez o pedido durante seu discurso na primeira reunião mundial de vítimas do terrorismo convocada pelo secretário-geral da ONU, shop Ban Ki-moon.
Em seu pronunciamento, o dirigente da organização defendeu que as vítimas do terrorismo recebam solidariedade internacional e reconhecimento social, assim como que se compreendam e atendam suas necessidades.
“O terrorismo é mundial. Pode afetar todo o mundo, em qualquer lugar. Tem entre seus alvos grupos étnicos, religiões, nacionalidades e civilizações. Ataca a própria humanidade”, afirmou.
“Alguns de vocês (vítimas) foram feridos em atentados terroristas e seus ferimentos lembram diariamente a brutalidade do terrorismo. Alguns foram seqüestrados e privados do direito mais fundamental: a liberdade”, acrescentou Ban.
Já Betancourt destacou que “o maior perigo para as vítimas do terrorismo é que sejam esquecidas”.
Ela afirmou que é um dever “indispensável” que as vítimas tenham reconhecimento na legislação internacional e advogou a criação de um “status internacional” para elas.
A medida permitiria identificar, através das Nações Unidas, quem são as vítimas do terrorismo, quais são suas circunstâncias e as necessidades que têm, disse.
“Muitos Estados totalitários no mundo escondem suas vítimas do terrorismo para não ter de responder sobre elas perante o mundo”, observou.
A ex-candidata presidencial também quis enviar uma mensagem a todos os Governos do mundo para que coloquem “a vida humana acima de qualquer outra consideração”.
Ela citou como exemplo a decisão do presidente colombiano, Álvaro Uribe, de lançar a operação de resgate que, em 2 de julho, pôs fim a seus mais de seis anos de cativeiro.
Betancourt foi a oradora principal junto a Ban e o presidente da Assembléia Geral da ONU, o macedônio Srgjan Kerim, do encontro que pela primeira vez reuniu vítimas do terrorismo dos cinco continentes.
No total, 18 vítimas debaterão com dez especialistas durante todo o dia sobre a situação destas pessoas e quais medidas a comunidade internacional pode adotar para responder melhor a suas necessidades.