O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, disse hoje que é “muito provável” que a recessão já tenha acabado nos Estados Unidos, mas alertou que a recuperação será lenta.
Bernanke fez estes comentários na Brookings Institution, um centro de estudos independente, quando se completa um ano da quebra do banco de investimentos Lehman Brothers.
Em seu discurso, o presidente do Fed pediu ações “urgentes” para fazer frente às fragilidades “estruturais” do marco regulador, de modo que não se repita uma crise como a atual.
Nesse sentido, se disse “bastante otimista” sobre que o Legislativo americano aprovará uma reforma das normas financeiras.
Bernanke reconheceu que o Congresso não focou no tema “tão intensamente” quanto esperava, por ter se concentrado em outros assuntos, como a reforma do sistema de saúde, mas disse que a atenção voltará, porque a crise “foi uma calamidade grande demais” para esquecer.
Sobre a economia, o presidente do banco central americano disse que “é muito provável que a recessão tenha terminado”, mas o órgão que declara oficialmente o fim da contração levará alguns meses para divulgar sua determinação.
Apesar do possível fim dos números vermelhos, disse aos americanos que estes “sentirão que a economia está muito fraca por algum tempo”, especialmente devido à fragilidade do mercado de trabalho.
Bernanke explicou que, se a economia não crescer “substancialmente” acima de seu potencial a longo prazo, o desemprego cairá muito lentamente.
Atualmente, 9,7% da força de trabalho não têm emprego nos Estados Unidos, um número muito alto para os parâmetros do país, e os especialistas preveem que superará os 10% nos próximos meses.
O presidente do Fed também advertiu que as condições financeiras continuam “sob uma pressão alta”.
“Persistem tensões em muitos mercados financeiros no mundo todo, as instituições financeiras enfrentam perdas adicionais significativas e muitas empresas e famílias continuam tendo uma dificuldade considerável para ter acesso a crédito”, disse.
Bernanke defendeu a ação para reformar a norma financeira, assim como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez em discurso na segunda-feira, em Nova York.
“Devemos abordar de forma urgente as fragilidades estruturais do sistema financeiro, em particular no marco regulador, para garantir que não sofreremos de novo os custos enormes dos últimos dois anos”, disse Bernanke.