O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, garantiu nesta quarta-feira que não está “nada preocupado” com o caso Ruby, pelo qual será julgado em Milão a partir de 6 de abril por suposto abuso de poder e incitação à prostituição de menores.
Em seu primeiro comparecimento diante da imprensa após conhecer na véspera a decisão do Tribunal de Milão de processá-lo de modo imediato, o primeiro-ministro da Itália recusou responder às perguntas dos jornalistas sobre o escândalo Ruby.
“Por amor à pátria, não falo sobre isso. Só posso dizer que não estou nada preocupado”, afirmou Berlusconi em entrevista coletiva na sede da Presidência do Governo italiano em Roma após acordo com a patronal sobre créditos para pequenas e médias empresas.
Diante da insistência de um jornalista sobre o caso Ruby, conhecido assim pelo nome da jovem marroquina que participou de suas festas quando era menor de idade, Berlusconi disse: “Só respondo a perguntas sobre o motivo que nos traz aqui. Estamos aqui para falar de economia”.
Berlusconi insistiu no argumento da multidão de ocasiões que seu Governo tem intenção de seguir adiante, apesar de que conta com uma “maioria menor” desde que deputados afins ao presidente da Câmara Baixa, Gianfranco Fini, deixaram por diferenças.
O primeiro-ministro, que será julgado diante do Tribunal de Milão por três magistradas, anunciou que pretende nos próximos dias ampliar sua maioria de Governo para os 325 deputados (dos 630 do total na Câmara Baixa), com a adesão de novos parlamentares.
O chefe do Executivo italiano comentou que, uma vez sem o “freio” que supuseram nos últimos meses os deputados do Fini, “será mais fácil fazer uma reforma da Justiça” tantas vezes anunciada.
Berlusconi informou que na véspera, em reunião em sua residência romana, Palazzo Grazioli, seu único membro de Governo, a Liga Norte (LN) de Umberto Bossi, transmitiu “proximidade”.
“Passaram toda a noite comigo, declarando sua proximidade e sua vontade de continuar com este Governo: estamos mais unidos e decididos do que nunca a seguir a legislatura até o fim”, afirmou o líder, no comparecimento transmitido ao vivo pela televisão.
O primeiro-ministro, quem tem pendentes no Tribunal de Milão dois julgamentos e uma audiência preliminar do caso Ruby, descartou a possibilidade de convocar eleições antecipadas diante do escândalo judicial, cujo sumário, segundo informa a mídia italiana, chegará nesta quarta-feira à defesa do líder.