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Mundo

Berlusconi alega segredo de Estado em relação entre agente secreto e Telecom

Arquivo Geral

05/01/2010 0h00





O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, determinou que a relação entre o ex-número dois dos serviços secretos militares (Sismi), Marco Mancini, e a companhia telefônica Telecom Italia está protegida por segredo de Estado, informou hoje o jornal “Corriere della Sera”.

A Procuradoria de Milão tinha acusado Mancini de formação de quadrilha e violação de segredos oficiais, junto ao ex-chefe de segurança da Telecom Giuliano Tavaroli, no caso de uma rede de espionagem que envolveu políticos, jornalistas, empresários e artistas famosos em 2006.

A determinação de Berlusconi chega depois que a juíza Mariolina Panasiti fez uma “interpelação” ao Executivo, como prevê a lei italiana nos casos em que o acusado alega não poder se defender sem violar um segredo de Estado, para confirmar a natureza dessas relações, depois que Mancini se utilizou dessa prerrogativa em um interrogatório.

Em resposta a essa interpelação, Berlusconi estabeleceu que a relação de Mancini com a Telecom é protegida por segredo de Estado.

Um comunicado emitido hoje pelo Governo italiano, após a publicação da notícia pelo “Corriere della Sera” afirma, no entanto, que a tutela do segredo se refere, neste caso, apenas às atas do processo referentes às relações internacionais entre serviços de informação e ao “interna corporis” (âmbito interno) dos organismos de informação.

Ao ser interrogado pela juíza sobre sua relação com alguns dos acusados no caso, como Tavaroli, o investigador particular Emanuele Cipriani e o ex-agente ítalo-americano da CIA John Paul Spinelli, Mancini respondeu que se tratava de um segredo de Estado.

Além disso, também alegou segredo de Estado ao ser questionado se alguma vez tivera relação com Marco Tronchetti Provera, que, naquela época, era o presidente e maior acionista da Telecom.

Tronchetti Provera nunca foi investigado pela Procuradoria por este caso de escutas ilegais.

Mancini se declarou inocente de todos os crimes dos quais foi acusado, especialmente o de ter retirado dos arquivos de contraespionagem militar notícias que teria vendido depois a Tavaroli e Cipriani.

Os promotores do caso alegaram que não existe segredo de Estado, já que a acusação a Mancini provém de relações institucionais supostamente mantidas com Cipriani e Tavaroli, e não se refere à divulgação de fatos sob segredo de Estado.

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