A Marinha israelense assegura que o barco que até esta tarde se dirigia a Gaza com ajuda humanitária de uma ONG presidida por um filho do presidente líbio, Muammar Kadafi, aceitou descarregar sua carga no porto egípcio de el-Arish.
“Em conversa por rádio com a Marinha, o capitão aceitou desviar e dirigir-se para El Arish”, disse à Agência Efe uma fonte militar que pediu anonimato e que afirmou que as patrulhas israelenses “seguirão seus passos até confirmar” o desvio.
Segundo cálculos do Exército israelense, só às 4h locais se saberá se o capitão cumprirá sua promessa ou se se trata de um “truque” para tentar chegar à faixa.
O navio estava a cerca de cem milhas do litoral israelense, em águas internacionais, quando a Marinha entrou em contato por rádio com seu capitão no início da tarde e pediu para identificar-se e revelar seu destino.
“Estabelecemos contato inicial com eles. Perguntamos a ele para onde vão, quem são e o que levam”, disse à Efe um porta-voz militar israelense ao confirmar que tinham iniciado “o processo de identificação”.
O porta-voz acrescentou que “foi deixado claro a eles que, eventualmente, como última alternativa, seríamos obrigados a abordar o barco”.
Desde então, a embarcação avançou e se encontra a cerca de 75 milhas de El Arish e a 90 milhas de Gaza, por isso, até que se aproxime da costa, o Exército não poderá confirmar qual será seu destino final.
O barco, propriedade de uma empresa grega, é de bandeira moldávia e foi fretado por uma ONG islâmica presidida por Saif Kadafi, filho do presidente líbio.
A embarcação transporta 2 mil toneladas de ajuda humanitária e partiu da Grécia no sábado para o porto egípcio de El Arish, segundo a documentação portuária.
No entanto, os membros da ONG reconheceram que seu destino era a Faixa de Gaza, submetida por Israel a um bloqueio naval, aéreo e terrestre desde 2007, ano em que o movimento islâmico Hamas assumiu o controle do território palestino das mãos do moderado presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.
No dia 31 de maio, nove ativistas turcos morreram por disparos de soldados israelenses que abordaram uma frota de navios em águas internacionais que levaria ajuda humanitária à Faixa de Gaza, um fato que indignou a comunidade internacional e levou ao levantamento parcial do bloqueio à faixa.
Várias organizações, entre elas iranianas e libanesas, vêm anunciando desde então que voltariam a tentar romper o bloqueio israelense, mas por enquanto apenas este barco saiu em direção à região.
Nove ativistas de uma ONG estão no barco: seis líbios, um nigeriano, um marroquino e um argelino.
O capitão da embarcação, que também confirmou que seu destino era Gaza, é de nacionalidade cubana e os outros 11 tripulantes são haitianos ou panamenhos.
De Gaza, o deputado islamita Jamal al-Khudary, chefe de um comitê popular contra o cerco ao território palestino, declarou hoje que os ativistas líbios a bordo do barco confirmaram que ainda estavam em águas internacionais.
Al-Khudary afirmou que tinham sido cercados por navios da Marinha israelense, que exigiram ao capitão que mudasse de rumo, em direção a El Arish ou, caso contrário, seriam abordados.
Os ativistas, ressaltou a fonte antes do último anúncio do porta-voz militar, rejeitaram mudar o rumo e expressaram sua intenção de seguir navegando em direção à faixa palestina para entregar alimentos e remédios que transportavam.
O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, qualificou a iniciativa do barco com ajuda líbia de “provocação desnecessária”, já que os produtos podem chegar à faixa palestina através do porto israelense de Ashdod ou do egípcio de El Arish, depois da “comprovação de que não levam armas”.
“O barco só leva ajuda humanitária e seus ativistas não têm intenção de realizar nenhum ato violento”, respondeu Youssef Sowan, diretor da ONG líbia, em entrevista hoje a uma emissora de Gaza.
Por sua parte, al-Khudary pediu à comunidade internacional que “impeça uma catástrofe (no barco líbio)” como a que ocorreu no ataque à frota que levaria ajuda humanitária a Gaza, alegando que “os navios são legais e só desafiam o bloqueio ilegal israelense”.