O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou nesta terça-feira em Tóquio que o mundo está em um momento “crucial” para avançar no desarmamento nuclear, e insistiu na necessidade de a comunidade internacional redobrar seus esforços de não-proliferação.
Ban iniciou hoje em Tóquio uma visita de seis dias ao Japão para participar dos atos do 65º aniversário do bombardeio nuclear dos Estados Unidos sobre Hiroshima e Nagasaki. Esta será a primeira ocasião na qual um secretário-geral da ONU assiste à cerimônia anual em lembrança das vítimas.
“Espero que, com minha presença, possamos enviar uma mensagem à comunidade internacional que devemos conseguir um mundo sem armas nucleares”, disse o secretário-geral em entrevista coletiva após reunião com o ministro japonês das Relações Exteriores, Katsuya Okada.
Segundo Ban, “não há lugar mais apropriado que Hiroshima” para enviar esta mensagem. Durante seu encontro com Okada, ele abordou os esforços do Japão, o único país que sofreu um ataque nuclear, para a não-proliferação das armas, além de tratar questões como a tensão na península coreana após o afundamento em março da embarcação sul-coreana “Cheonan”.
Uma equipe internacional de investigadores indicou que a corveta foi afundada por um torpedo norte-coreano, o que foi negado por Pyongyang em meio a uma crescente tensão que afastou as esperanças de retomada do diálogo entre seis países pelo desarmamento nuclear da Coreia do Norte.
Ban se mostrou “muito preocupado” pela situação entre as duas Coreias, e manifestou seu desejo de “que as conversas de seis partes sejam retomadas o mais breve possível”.
O secretário-geral da ONU também conversou com Okada sobre a reforma do Conselho de Segurança, e se comprometeu a “promover as negociações” neste sentido.
Está previsto que amanhã Ban se reúna com o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, e seu antecessor no cargo, Yukio Hatoyama, além do ministro da Defesa, Toshimi Kitazawa, entre outros políticos.
Na quinta-feira, ele irá a Nagasaki, onde visitará o Museu da Bomba Atômica e terá um encontro com alguns sobreviventes da catástrofe, antes de seguir à tarde a Hiroshima, a outra cidade que sofreu um ataque nuclear em agosto de 1945.