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Mundo

Autoridades chinesas se negam a tratar de crianças contaminadas com chumbo

Arquivo Geral

15/06/2011 10h56

As autoridades de quatro províncias chinesas se negam a proporcionar assistência médica a crianças contaminadas com chumbo, impedem ou dificultam os exames necessários para detectar o problema e intimidam os pais que pedem explicações, revela nesta quarta-feira um relatório Human Rights Watch (HRW).

O documento da ONG se baseia nos testemunhos recolhidos entre 2009 e 2010 de 52 pais e avós de crianças contaminadas com altos níveis de chumbo por viverem perto de fábricas nas províncias de Henan, Hunan (centro), Shaanxi (norte) e Yunnan (sul).

O último caso revelado pela imprensa oficial chinesa no domingo passado se refere a 600 pessoas contaminadas com chumbo na província oriental de Zhejiang, entre as quais estão 103 crianças, filhos dos operários de uma fábrica de processamento de lâminas metálicas.

O alto nível de chumbo no sangue pode causar danos ao cérebro, fígado, rins, nervos e estômago, assim como anemia, coma, convulsões e até mesmo levar à morte.

Nas crianças, além disso, pode provocar problemas mentais e de desenvolvimento permanentes, incluindo dificuldades para a leitura e a aprendizagem, problemas de atenção e transtornos no desenvolvimento das funções visuais e psicomotoras.

Segundo a HRW, os exames da maioria das crianças das quatro províncias revelaram que elas estavam com níveis de chumbo de até 40 miligramas por decilitro de sangue.

Acima de 45 miligramas por decilitro é necessário receber tratamento médico em menos de 48 horas, mas os familiares entrevistados revelaram que muitos médicos recomendaram às crianças apenas que tomassem mais leite, comessem alho e maçãs.

Nos casos em que as crianças receberam tratamento, os pais não souberam informar que medicamento seus filhos tinham recebido e disseram que o tratamento foi esporádico, enquanto a exposição ao chumbo foi contínua.

As fábricas situadas junto a residências continuaram operando normalmente ou foram fechadas temporariamente para retomar sua produção pouco depois, diante de uma população sem recursos para buscar outro lugar para morar.

Segundo a HRW, as autoridades locais ofereceram a possibilidade de fazer os exames para detectar chumbo no sangue de forma gratuita, mas muitas das crianças tiveram o tratamento negado porque não viviam a menos de um quilômetro das fábricas, quando o raio de contaminação era muito maior.

O relatório revela ainda que muitos pais que quiseram pagar pelos exames de seus filhos tiveram que ir a centros médicos fora de suas áreas de residência para comprovar que seus filhos estavam contaminados.

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